MINSA e INCA reforçam formação em oncologia pediátrica e cuidados paliativos para salvar vidas em Angola
O Ministério da Saúde (MINSA), através da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde (UIP-PFRHS), e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) do Brasil estão a reforçar a cooperação técnica para elevar a capacidade de Angola no diagnóstico e tratamento do cancro infantil, bem como no aprimoramento da capacitação técnico e científica de profissionais em cuidados paliativos.
A nova etapa da parceria foi discutida esta quarta-feira, 26 de Agosto, em Luanda, durante uma reunião de coordenação do programa de formação de recursos humanos em saúde, realizada em formato híbrido e que juntou responsáveis e especialistas angolanos e brasileiros.
Em nota enviada à redacção do Club-K, o MINSA informa que o encontro, presidido pelo coordenador e gestor técnico da UIP-PFRHS, Job Monteiro, serviu para avaliar os resultados da missão técnico-formativa realizada pelo INCA em Angola, de 26 de Maio a 3 de Junho de 2026, e definir as prioridades para o próximo ciclo de formação, previsto para 2027.
Sob o lema: “capacitar para salvar, transformar para o futuro”, a reunião concluiu que Angola dispõe de profissionais com competências importantes na área, mas precisa de reforçar a articulação entre as diferentes especialidades envolvidas no atendimento às crianças com cancro.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) recomendou, por isso, uma abordagem multidisciplinar, envolvendo oncologistas, cirurgiões, radiologistas, anestesistas, anatomopatologistas, enfermeiros, intensivistas e outros profissionais.
Entre as medidas propostas está a realização regular de reuniões multidisciplinares para discussão de casos oncológicos, permitindo decisões terapêuticas mais integradas e atempadas.
A formação especializada deverá ainda abranger a oncologia cirúrgica pediátrica e o acesso vascular, com destaque para a implementação do cateter central de inserção periférica (PICC), técnica importante para crianças submetidas a tratamentos prolongados.
A proposta prevê a capacitação inicial de uma equipa angolana, seguida de acompanhamento técnico, elaboração de protocolos, padronização de procedimentos e formação de novos profissionais.
A cirurgia oncológica pediátrica será outro dos focos da cooperação. A estratégia prevê o reforço das competências das equipas cirúrgicas, anestésicas e de cuidados intensivos, assim como a melhoria dos protocolos de segurança do paciente, e capacitação em cuidados paliativos.
Está igualmente prevista a discussão de casos entre Angola e Brasil através de plataformas digitais, com análise de exames e definição conjunta das indicações cirúrgicas e seguimento de pacientes oncológicos em estádio terminal.
Em casos seleccionados, especialistas brasileiros poderão realizar novas missões presenciais a Angola para acompanhar procedimentos em conjunto com as equipas nacionais, privilegiando a transferência prática de conhecimento.
A meta é que a cooperação não se limite à realização de procedimentos, mas permita formar equipas angolanas capazes de assumir progressivamente casos de maior complexidade.
O Hospital Pediátrico Heróis de Quifangondo assume um papel central nesta estratégia, enquanto unidade de referência para o tratamento oncológico pediátrico.
O reforço das competências nesta unidade deverá contribuir para a consolidação de uma equipa nacional especializada e, numa segunda fase, para a expansão das competências a outras unidades sanitárias.
A estratégia articula-se também com o reforço das capacidades instaladas no Complexo Hospitalar General Pedro Maria Tonha “Pedalé”, que dispõe de serviços diferenciados relacionados com a oncologia.
A cooperação deverá igualmente fortalecer a organização dos serviços, através da definição de fluxos assistenciais, protocolos institucionais e mecanismos de registo sistemático dos casos.

