Konda Marta vence batalha nas instituições e lança primeira para construção de mais de 500 residências para camponesas

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Mais de 500 camponesas celebraram com júbilo, no sábado, 16 de Maio, a “victória” alcançada junto das instituições do Estado (Tribunal da Comarca e Governo Provincial de Luanda), após a restituição da posse pelo órgão judicial, e posteriormente à entrega da Licença de Construção pelo Instituto Público de Gestão Urbana de Luanda (IPGUL), afecto ao GPL.

O conflito fundiário envolvendo a empresa privada Konda Marta com supostas altas patentes da Polícia Nacional (PN) e das Forças Armadas Angolanas (FAA) vem desde 2016, cenário que pode ter chegado ao fim, após ter sido apresentada a Licença de Construção e consequente lançamento da primeira pedra no local onde serão erguidas mais de quinhentas residências para acudir camponesas vulneráveis.

O acto de lançamento da pedra foi orientado pelo Presidente do Conselho de Administração da empresa Konda Marta, Daniel Afonso Neto, para a construção do Complexo Residencial TC Neto, localizado na zona do Campus Universitário, município da Camama, em Luanda.

Durante o acto, Daniel Neto anunciou que o projecto prevê a construção de mais de 500 residências destinadas às famílias que há vários anos lutam pela legalização dos terrenos ligados à empresa Konda Marta.

Em declarações à imprensa, o responsável afirmou que o projecto representa a concretização de uma longa batalha marcada por dificuldades e acusações que, segundo ele, envolveram tráfico de influência e detenções sem julgamento.

“Depois de muitas batalhas, finalmente o processo está concluído. Passamos por várias dificuldades, incluindo detenções sem julgamento e congelamento das minhas contas bancárias. Mas hoje conseguimos alcançar este objectivo. Aqui serão construídas mais de 500 casas para beneficiar a população residente nesta zona”, afirmou Daniel Neto.

O PCA da Konda Marta revelou ainda que estão previstos novos projectos habitacionais, com o objectivo de ultrapassar a marca de mil famílias beneficiadas nos próximos tempos.

Por sua vez, Cheng, representante da empresa construtora responsável pela obra, garantiu que os trabalhos serão executados com qualidade e têm previsão de conclusão dentro de um ano. “A empresa está aqui para ajudar a construir casas dignas e bonitas para a população. A previsão é concluir a obra no prazo de um ano”, disse.

O evento também contou com testemunhos emocionantes de camponesas ligadas ao projecto habitacional, que relataram os momentos difíceis vividos durante o conflito pelos terrenos.

Joana Miguel Magita, que esteve detida durante seis meses sob acusações de calúnia, difamação e associação criminosa, afirmou que regressa determinada a continuar a luta. “Durante a detenção fui maltratada nas esquadras, mas nunca perdi a fé em Deus. Hoje estou de volta para continuar esta batalha até ao fim”, declarou.

Fernanda Martins, outra camponesa beneficiária, manifestou alegria com o início das obras e recordou os momentos de sofrimento enfrentados pelas famílias. “Vivíamos no sofrimento. Muitas vezes as nossas casas eram destruídas, especialmente em períodos de frio e chuva. Hoje sentimos que uma nova esperança começa para todos nós”, afirmou.

Também emocionada, Isabel Soares destacou os sacrifícios enfrentados pelas mulheres durante o processo. “Muitas mães foram feridas e algumas ficaram deficientes. Hoje estamos felizes porque esta luta trouxe resultados e esperamos nunca mais passar pelo mesmo sofrimento”, disse.

O lançamento do Complexo Residencial TC Neto marca assim o início de um novo capítulo para centenas de famílias da Camama, que aguardam há anos por melhores condições habitacionais.

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