Interesses económicos e falta de união são apontados como desafios ao activismo em Angola

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Activistas ouvidos pelo portal Rádio Angola analisam o actual cenário da sociedade civil angolana e defendem maior união entre os movimentos contestatários tendo em vista as eleições de 2027.

Sebastião Numa

Os interesses económicos, a procura de oportunidades para alcançar cargos políticos e bens materiais, bem como a falta de união entre os activistas, foram apontados como alguns dos factores que têm contribuído para o enfraquecimento do activismo e da sociedade civil em Angola.

Numa reportagem dedicada às perspectivas do activismo face às eleições legislativas e presidenciais previstas para 2027, a equipa do portal Rádio Angola percorreu mais de 20 quilómetros para ouvir activistas e figuras ligadas à sociedade civil contestatária, na província de Luanda.

Entre os entrevistados estiveram Alex Chabalala e António Caquienze, conhecido por General Duque, que falaram em exclusivo ao portal sobre os desafios que actualmente se colocam aos activistas angolanos e o papel da sociedade civil no próximo ciclo eleitoral.

Activismo e interesses económicos

Durante a conversa, o activista António Caquienze, conhecido como General Duque, descreveu algumas das dificuldades que, na sua perspectiva, marcam actualmente o activismo em Angola.

Segundo o activista, o movimento terá sofrido mudanças significativas quando comparado com os primeiros anos de manifestações e mobilização da sociedade civil. Na sua leitura, parte do activismo transformou-se num espaço de procura de oportunidades, incluindo interesses económicos e políticos.

General Duque recordou os primeiros momentos de mobilização social no país, defendendo que, naquela época, muitos activistas participavam nas manifestações movidos pelo que consideravam ser um sentido de dever cívico, mesmo enfrentando dificuldades materiais.

O activista manifestou ainda preocupação com aquilo que considera ser a utilização do activismo para atacar ou denegrir figuras políticas e para procurar aproximações junto de dirigentes de partidos da oposição, com destaque para a UNITA.

Apelo aos partidos na oposição

No final da entrevista, General Duque lançou um apelo aos partidos políticos da oposição para que prestem maior atenção às famílias de Isaías Cassule e Alves Kamulingue, associados a um dos casos mais marcantes da contestação política e social em Angola.

Por sua vez, Alex Chabalala defendeu que a construção de uma alternativa política e social, na sua perspectiva, não deve depender exclusivamente de um partido político.

Para o activista, a mobilização da sociedade civil deve assentar na união entre os diferentes movimentos e activistas contestatários, desde Cabinda ao Cunene e do mar ao Leste.

Olhar para 2027

A discussão sobre o futuro do activismo surge num contexto de preparação para as eleições legislativas e presidenciais previstas para 2027, período que deverá voltar a colocar a sociedade civil e os movimentos de contestação no centro do debate público.

Os testemunhos recolhidos pelo portal Rádio Angola evidenciam diferentes preocupações sobre a organização, os interesses e a capacidade de mobilização dos activistas, assim como sobre a necessidade de maior articulação entre os diferentes sectores da sociedade civil.

O portal Rádio Angola vai continuar a ouvir fazedores de opinião e representantes da sociedade civil sobre os principais temas relacionados com as eleições de 2027.

Radio Angola

Radio Angola aims to strengthen the capacity of civil society and promote nonviolent civic engagement in Angola and around the world. More at: http://www.friendsofangola.org

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