Angola e Banco Mundial reforçam parceria para fortalecer cuidados primários de saúde para acelerar cobertura universal

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O Governo angolano e o Banco Mundial reforçaram, na manhã desta Quarta-feira, 6 de Maio de 2026, em Luanda, o seu compromisso estratégico para a transformação do sistema nacional de saúde, com foco no fortalecimento dos cuidados primários, na formação de recursos humanos e na melhoria da capacidade de gestão e financiamento do sector.

O encontro de alto nível, realizado nas instalações do Ministério da Saúde, foi liderado pela ministra da Saúde, Sílvia Paula Valentim Lutucuta, ladeada pelo Director Nacional de Intercâmbio, Júlio de Carvalho, e pelo Coordenador da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (PFRHS), Job Monteiro, bem como por consultores das áreas financeira, de comunicação e de aquisições.

Pelo Banco Mundial, participaram o representante em Angola, Juan Carlos Alvarez, o Gestor Regional de Práticas para Saúde, Nutrição e População para África Oriental e Austral, Ronald Upenyu Mutasa, além de especialistas seniores Humberto Cossa, Task Team Leader do PFRHS, Renzo Sotomayor, Task Team Leader do Novo Projecto,  do Consultor do Portfólio para Angola e São Tomé e Príncipe Álvaro André e do Analista de Operações, Mário Méndez.

Na sua intervenção, a ministra da Saúde destacou que Angola está a implementar uma das mais ambiciosas reformas do sector, com resultados já visíveis. Desde 2018, o país registou a admissão de mais de 46 mil novos profissionais de saúde, aumentando a força de trabalho em cerca de 43%, paralelamente a investimentos significativos na construção e reabilitação de infra-estruturas sanitárias.

“Estamos a construir um sistema mais robusto, assente em cuidados primários fortes, capital humano qualificado e sistemas de informação eficientes”, sublinhou.

A governante enfatizou ainda o papel estruturante do Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde, que prevê a formação de cerca de 38 mil profissionais até 2028, considerado um dos principais pilares para garantir acesso equitativo e qualidade dos serviços.

Durante o encontro, a ministra da Saúde agradeceu a visita do Gestor Regional de Práticas e reconheceu a avaliação positiva do Banco Mundial quanto ao andamento do PFRHS. “Gostaria de agradecer a vossa avaliação ao progresso do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde. Estes resultados demonstram que estamos no caminho certo”, afirmou.

A governante fez questão de sublinhar que os avanços alcançados resultam de um compromisso político ao mais alto nível do Estado angolano, destacando o papel do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço.

“Tudo isto tem sido possível graças ao engajamento directo de Sua Excelência o Presidente da República, que, de forma incansável, têm permitido para que este projecto se tornasse uma realidade”, referiu.

A Ministra recordou ainda que, desde o início do seu mandato, o Chefe de Estado tem vindo a priorizar o sector social, com particular destaque para a formação de quadros nacionais, visando garantir maior autonomia técnica e capacidade de resposta do sistema de saúde.

“O nosso objectivo é assegurar que os profissionais angolanos tenham capacidade própria para responder às necessidades dos cidadãos, melhorando a qualidade dos serviços prestados nas nossas unidades hospitalares”, acrescentou.

O Banco Mundial considerou o projecto angolano como um dos mais avançados a nível global, destacando o seu potencial transformador para Angola e como referência para outros países.

Segundo Ronald Upenyu Mutasa, o impacto das reformas poderá ser ampliado com base em três eixos fundamentais: produção de conhecimento baseado em evidências, apoio à implementação de programas e reforço do financiamento estratégico.

“O sucesso das reformas depende de decisões informadas por dados, capacidade de execução e utilização eficiente dos recursos”, referiu.

O reforço dos cuidados primários de saúde foi um dos temas centrais do encontro, sendo reconhecido como base para um sistema mais eficiente, equitativo e sustentável.

De acordo com os especialistas, sistemas robustos de cuidados primários permitem reduzir doenças evitáveis, melhorar indicadores de saúde materno-infantil, aumentar a eficiência da despesa pública e gerar impacto económico positivo.

Neste quadro, o Banco Mundial anunciou a preparação de uma plataforma regional inovadora destinada a apoiar países africanos na transformação dos cuidados primários para o “século XXI”, com investimentos em infra-estruturas, equipamentos, digitalização e acesso a medicamentos essenciais.

A governante ainda destacou que “precisamos de soluções mais ágeis, que permitam responder com rapidez às necessidades do sistema”.

Outro ponto em destaque foi a necessidade de diversificação das fontes de financiamento da saúde. Angola está a explorar mecanismos como seguros públicos de saúde, parcerias público-privadas, criação de fundos específicos e tributação selectiva para reforço do sector.

O encontro permitiu alinhar os próximos passos da cooperação, incluindo o reforço da capacidade institucional, melhoria da gestão financeira e expansão da equipa técnica responsável pela implementação dos projectos.

O Banco Mundial reiterou o seu compromisso em continuar a apoiar Angola, sublinhando que uma parceria sólida e baseada na confiança poderá multiplicar o impacto dos investimentos no sector da saúde.

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