Bengo: Ministério da Saúde e missão brasileira reforçam cooperação e aposta na formação de especialistas
A delegação do Ministério da Saúde de Angola, coordenada pela Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde (PFRHS), trabalhou na quarta-feira, 27 de Maio, na província do Bengo, no quadro da missão técnica de monitoria, avaliação e preparação do novo ciclo formativo 2027, no âmbito da cooperação estratégica entre Angola e Brasil no sector da Saúde.
A missão é liderada pelo coordenador do PFRHS, professor Job Monteiro, e integrou representantes do Ministério da Saúde de Angola, da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério da Saúde do Brasil, HU-Brasil (Empresa Estatal Gestora dos Hospitais Universitários do Brasil), além de universidades e hospitais universitários brasileiros que acolhem profissionais angolanos em formação especializada.
Da delegação angolana fazem igualmente parte Adão Chimuanji, consultor para formação do PFRHS, Lúcia Chicapa, especialista de Salvaguardas Sociais, o Pierre Claver Habimana, especialista de Monitoria e Avaliação, o especialista de Base de Dados Joaquim Agostinho, Neusa Cumbe, especialista de Comunicação, Informação e Gestão do Conhecimento do PFRHS, bem como distintos técnicos da Unidade de Implementação do Projecto e do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério da Saúde e do CHGPTP .
À chegada à província, a delegação foi recebida pelo vice-governador para o sector Político, Social e Económico do Bengo, Edson Vaz Câmara da Cruz, em representação da governadora provincial, Antónia Nelumba, que saudou os visitantes e reafirmou a abertura da província para o fortalecimento da cooperação no domínio da saúde e da formação de quadros.
“Queremos pedir que esta visita não seja a primeira nem a última. Sempre que houver oportunidade, a Província do Bengo estará de portas abertas para receber os nossos irmãos e parceiros”, afirmou o responsável.
Durante o encontro realizado no Hospital Provincial do Bengo, o coordenador do PFRHS, professor Job Monteiro, destacou que a aposta do Executivo angolano na formação especializada dos profissionais de saúde constitui uma prioridade estratégica para o fortalecimento do capital humano nacional e para a melhoria da qualidade dos serviços de saúde em todo o país.
“O Ministério da Saúde entende que precisamos qualificar cada vez mais os nossos profissionais. A classe de enfermagem representa mais de 50% da força de trabalho do Serviço Nacional de Saúde e, por isso, precisamos direccionar esta formação para áreas especializadas prioritárias”, sublinhou.
O responsável recordou ainda que o programa de cooperação Angola–Brasil ganhou maior impulso em 2023, após o encontro entre os Presidentes João Lourenço e Lula da Silva, altura em que foi manifestada a necessidade de acelerar a formação de quadros especializados para o sector da Saúde.
Segundo explicou, poucos meses depois a ministra da Saúde Sílvia Lutucuta aprovou o plano estruturado entre os dois países, o que permitiu, já em 2024, o envio dos primeiros profissionais angolanos para formação especializada no Brasil.
“O dinamismo desta cooperação permitiu-nos chegar hoje a uma nova fase, em que além de enviarmos profissionais para formação no exterior, queremos também trazer mais docentes brasileiros para Angola e reforçar a capacidade formativa local”, afirmou.
Job Monteiro destacou igualmente que a missão ao Bengo visa avaliar os resultados já alcançados, identificar novas necessidades formativas e preparar o novo ciclo de formação para 2027, com maior enfoque na descentralização da formação especializada e no reforço das capacidades das províncias.
Entre os principais anúncios feitos durante a visita destacam-se o reforço da formação pós-média e especializada em enfermagem, a atribuição de subsídios aos formandos dos cursos pós-médios, a redução da duração dos cursos pós-médios de 24 para 12 meses, privilegiando maior carga prática e a expansão das especialidades médicas prioritárias, como anestesiologia, reanimação, ortotraumatologia e neurocirurgia.
Consta igualmente a implementação futura de laboratórios de simulação clínica na província do Bengo e o reforço de equipamentos informáticos para instituições formativas e unidades hospitalares.
Na ocasião, os representantes brasileiros reafirmaram o compromisso do Brasil em continuar a apoiar Angola na formação de quadros especializados em saúde, considerando o programa uma referência da cooperação internacional brasileira.
O representante da Agência Brasileira de Cooperação, Luciano Queiroz, destacou que o projecto se tornou uma das maiores iniciativas de cooperação em saúde promovidas pelo Brasil no exterior.
“Hoje este é o maior projecto de cooperação em saúde do Brasil fora do país e tornou-se uma verdadeira vitrine da cooperação brasileira”, afirmou.
Luciano Queiroz sublinhou ainda que a missão brasileira se encontra em Angola para compreender as necessidades reais das províncias e preparar o novo ciclo formativo de forma alinhada às prioridades do sistema de saúde angolano.
Segundo os responsáveis brasileiros, o programa já integra cerca de 67 instituições de ensino e saúde do Brasil e conta actualmente com aproximadamente 700 a 800 profissionais angolanos em formação naquele país.
A delegação brasileira integra representantes de instituições como a Universidade Federal do Maranhão, Universidade Federal do Piauí, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, além de gestores hospitalares e especialistas ligados à EBSERH e ao Ministério da Saúde do Brasil.
Durante a actividade foram igualmente apresentados os dados actuais da formação especializada na província do Bengo.
No âmbito da especialização em Enfermagem, encontram-se actualmente em formação 81 profissionais, dos quais 42 frequentam a especialidade de Anestesiologia e Reanimação e 39 a especialidade Médico-Cirúrgica.
Já no programa de formação pós-média em Enfermagem, estão actualmente em formação 111 profissionais distribuídos nas especialidades de Anestesia e Reanimação, Instrumentação, Parteira e Pediatria.
Os estudantes iniciaram oficialmente a componente prática da formação no Hospital Provincial do Bengo, após concluírem o tronco comum teórico nos institutos técnicos de saúde.
A visita permitiu igualmente apresentar aos parceiros brasileiros os avanços alcançados pelo PFRHS na capacitação de profissionais angolanos e no fortalecimento das instituições de formação e assistência em saúde, reforçando a cooperação Angola/Brasil como uma das mais relevantes parcerias estratégicas para o desenvolvimento sustentável do sector da Saúde em Angola.

