Se está claro que a UNITA também não é solução, como aceitar que dita o formato da oposição? – José Pedro

Compartilhe

Nota prévia: Seria sensato se a UNITA assumisse a intolerância como parte da sua linha ideológica. Simples, assim, porque há muito que não se esconde da sua rudez. Pelo que se sabe, o MPLA, em parte, é culpado da prepotência e arrogância detida pela UNITA: permitiu que Savimbi concorresse à Presidência da República, mesmo sem nunca ter Bilhete de Identidade.

Permitiu que a UNITA estivesse representada na Assembleia Nacional e no Governo (GURN), mesmo estando a guerrear.

Permitiu e promoveu a reestruturação da UNITA, em tempo de Paz, quando a poderia exterminar definitivamente — e, paradoxalmente, o principal desejo da UNITA, publicamente manifestado pelos seus dirigentes, é extinguir o MPLA, caso vençam as eleições.

É muita passividade com a UNITA. Mas, voltemos ao título!

Na nossa arena política, a UNITA espalhou a ideia segundo a qual só há dois caminhos a seguir: MPLA ou UNITA.

Para ela, não existe uma terceira via. Portanto, nem adianta falar da quarta, muito menos da quinta via. Dito de outro modo: a UNITA “ajustou” o país numa saia que só cabe ao MPLA e a ela. Não tem para mais ninguém. Não há mais quem pode. Ponto final.

Para ela, a UNITA, quem ousar fazer oposição ou emitir opiniões diferentes das do MPLA, ainda que a partir da sociedade civil, no final de tudo deve juntar-se a ela, entrar na sua fila, fixar-se atrás de si e submeter-se às suas ordens.

Foi assim com o projecto FPU que, agora, está a alterar o nome, mas não o modelo que se recomenda ser coligação.

Mais do que isso, a UNITA foi além: criou um código de destruição de carácter, destinado a vilipendiar todos que rejeitam falar a sua língua ou aliar-se aos seus intentos. Chama de “bófia”, homem ou grupo ao serviço do SINSE ou do MPLA. Coloca todos os seus operativos a denegrir o visado nas rádios, redes sociais e fora delas.

Não poupa ninguém nas suas campanhas frenéticas, estruturadas e devidamente financiadas, com um único objectivo: preservar benesses e o estatuto social já conseguido.

Os da UNITA não são o que dizem ser

Falam e apelam à revolução, mas não andam a pé. Propalam fome e degradação social, mas são da classe média e alta, com tudo que lhes caracteriza. Têm guardas e empregadas.

Nas suas próprias instituições (dentro da UNITA) não há exemplo de boa gestão, mas criticam os gestores públicos. Condenam quem recebe bens do Estado, mas têm e andam no que é dado pelo Estado.

São capazes de TUDO quando se trata de eliminar ameaças dentro e fora do seu meio. Manipulam as pessoas.

Usam os pobres. Enganam os cidadãos menos atentos. Quando conseguem o desejado, quebram acordos e denigrem a imagem de quem ousar afrontá-los — que o diga o Francisco Viana e principalmente o Abel Chivukuvuku. São bons de truques.

Tão bons que, quando assustarmos, já tomaram posse na CNE. Só estão à espera do desentendimento com o BD, que vai surgir a qualquer momento — porque precisa coligar-se —, para não partilhar uma das vagas e, então, ficar com as quatro, já que o PRAJA está fora das contas.

Club-K

Radio Angola

Radio Angola aims to strengthen the capacity of civil society and promote nonviolent civic engagement in Angola and around the world. More at: http://www.friendsofangola.org

Leave a Reply