Missão técnica Angola–Brasil destaca resultados da formação de especialistas no Hospital Materno-InfantiL Azancot de Menezes
No âmbito da Missão Técnica Angola–Brasil para avaliação das capacidades formativas e assistenciais das instituições de saúde angolanas, a delegação integrada por representantes do Ministério da Saúde de Angola, da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério da Saúde do Brasil e da empresa brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), visitou esta segunda-feira, 1 de Junho, o Hospital Materno-Infantil Dr. Manuel Pedro Azancot de Menezes, em Luanda.
Fonte: Club-K.net
A visita ocorreu numa data simbólica para o país, assinalando simultaneamente o Dia Internacional da Criança e o aniversário desta importante unidade hospitalar de referência nacional para a assistência materno-infantil, que completa quatro anos desde a sua inauguração, pelo Presidente da República João Lourenço.
A delegação foi recebida pela directora-geral da instituição, Manuela Menezes, que apresentou os principais indicadores assistenciais e formativos do hospital, destacando os avanços alcançados desde a sua inauguração e os desafios relacionados com a elevada procura dos serviços especializados.
Durante a sessão de trabalho, o coordenador e gestor técnico do Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde (PFRHS), Job Monteiro, explicou que a missão tem como principal objectivo identificar, em conjunto com as instituições sanitárias e formativas, às necessidades prioritárias para o ciclo de formação de 2027.
Na ocasião, o responsável recordou a visão estratégica da ministra da Saúde, Sílvia Paula Valentim Lutucuta, segundo a qual a melhoria da qualidade dos cuidados de saúde passa necessariamente pela valorização e qualificação permanente dos recursos humanos.
“Tal como tem reiterado Sua Excelência a Ministra da Saúde, todos os angolanos devem ter acesso a serviços de saúde de qualidade e a um atendimento hospitalar digno, humanizado e seguro, sem que ninguém fique para trás. É com este compromisso que continuamos a investir na formação de recursos humanos, desde os cuidados primários até aos serviços altamente especializados”, referiu.
Segundo o coordenador do PFRHS, a missão técnica está igualmente focada na preparação do terceiro ciclo formativo do programa, privilegiando uma abordagem mais próxima das necessidades reais das instituições de saúde e reforçando os mecanismos de cooperação entre Angola e Brasil.
O representante da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), Luciano Queiroz, sublinhou que esta iniciativa constitui actualmente o maior programa de cooperação bilateral entre Angola e Brasil no sector da saúde.
Segundo o responsável, mais de 800 profissionais angolanos encontram-se em formação ou já beneficiaram das oportunidades criadas através da parceria, envolvendo actualmente 67 instituições públicas brasileiras.
“Estamos a preparar o próximo ciclo formativo com base nas prioridades identificadas pelas próprias instituições angolanas, garantindo maior adequação das formações às necessidades locais”, referiu.
Por sua vez, o director do Departamento de Gestão de Educação na Saúde do Ministério da Saúde do Brasil, Fabiano Ribeiro dos Santos, destacou a importância de desenvolver modelos de formação cada vez mais sustentáveis, valorizando a transferência de conhecimento para Angola.
“A força de trabalho é o maior património de qualquer hospital. Precisamos fortalecer as capacidades locais para que a formação aconteça progressivamente dentro do próprio país”, afirmou.
Um dos momentos mais marcantes da visita foi a apresentação dos testemunhos de duas médicas especialistas formadas no Brasil através do PFRHS, que hoje aplicam os conhecimentos adquiridos directamente no atendimento aos recém-nascidos e crianças angolanas.
Mirian Laureano, pediatra e neonatologista que realizou um Fellowship em Neonatologia no Hospital Universitário de Rio Grande do Sul destacou que a experiência permitiu não apenas aprofundar competências técnicas, mas também conhecer modelos de organização dos serviços, protocolos de qualidade e segurança do paciente, bancos de leite humano e metodologias de formação contínua das equipas de saúde.
Segundo a especialista, a formação trouxe novas abordagens para os cuidados neonatais, fortalecendo áreas como a reanimação neonatal, os cuidados intensivos e intermédios, bem como a capacitação permanente das equipas de enfermagem.
Também a médica pediatra Eliane Caterça recém-formada em Neonatologia pela Universidade Federal do Maranhão, testemunhou os benefícios da formação recebida.
“A realidade social e assistencial que encontrei no Maranhão possui muitas semelhanças com a nossa. A formação deu-me ferramentas práticas para enfrentar desafios que encontramos diariamente nos serviços de neonatologia em Angola. Hoje consigo aplicar esses conhecimentos e contribuir para a melhoria dos cuidados prestados aos recém-nascidos”, afirmou.

A missão permitiu igualmente discutir mecanismos para reforçar a formação local através da mobilização de especialistas brasileiros para Angola, complementando o envio de profissionais angolanos para programas de especialização e subespecialização no Brasil.
No balanço preliminar apresentado pela Unidade de Implementação do Projecto, foi referido que, da meta global de formar 38 mil profissionais de saúde até 2028, mais de 17 mil já beneficiaram directamente de acções de formação, abrangendo médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, profissionais do regime geral e pessoal de apoio hospitalar.
A Missão Técnica Angola–Brasil prossegue com a consolidação das prioridades identificadas ao longo das visitas realizadas nas províncias do Bengo, Icolo e Bengo, Cunene, Huíla, Namibe e Luanda, cujos resultados serão apresentados à Ministra da Saúde para definição das acções estratégicas do ciclo formativo 2027.

