MINSA reforça formação especializada em neurofisiologia clínica para melhorar diagnóstico das doenças neurológicas
O Ministério da Saúde (MINSA), por meio do Instituto de Especialização em Saúde (IES) e da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (UIP-PFRHS), realizou, na última semana, um encontro técnico com especialistas em Neurologia e Neurofisiologia Clínica, destinado a harmonizar o programa académico e a definir as condições para a implementação da formação especializada nesta área.
A reunião foi presidida pelo coordenador de Gestor Técnico da UIP-PFRHS, o Neurologista, Job Monteiro e contou com a participação de responsáveis institucionais, docentes e especialistas, entre os quais o Neurologista, Miguel Betencourt Mateus, o neurologista, João Adilson, presidente da Sociedade Angolana de Neurologia, o Betuel Helena e a chefe de Serviço de Neurologia do Complexo Hospitalar Pedalé, Neurologista, Helena Cordeiro.
Durante o encontro, foram analisadas a estrutura curricular, o calendário das actividades lectivas e assistenciais, a distribuição da carga horária e a articulação entre as aulas teóricas, a prática clínica hospitalar e os estágios especializados.
A formação pretende desenvolver competências para a realização e interpretação de exames neurofisiológicos, fundamentais no diagnóstico e acompanhamento de doenças do sistema nervoso.
Na sua intervenção, o Job Monteiro destacou a necessidade de avançar com a implementação do programa, tendo em conta a escassez de profissionais qualificados e as necessidades do Serviço Nacional de Saúde.
“Precisamos de avançar com a formação especializada para responder às necessidades do Serviço Nacional de Saúde. Temos desafios que exigem organização, articulação institucional e compromisso, mas não podemos continuar a adiar a preparação de profissionais capazes de responder às necessidades reais do país”, afirmou.
O responsável salientou ainda a importância de assegurar o enquadramento académico e legal da formação, de modo a garantir o reconhecimento das competências adquiridas, a certificação dos formandos e a valorização profissional dos especialistas.
Defendeu igualmente que o programa deve assentar numa coordenação científica eficaz, com critérios de avaliação e supervisão que assegurem a qualidade da aprendizagem.
A organização da componente prática constituiu um dos principais pontos da reunião, com destaque para a necessidade de adequar a aprendizagem à complexidade dos exames e garantir o acompanhamento dos pacientes sob orientação de profissionais experientes.
Entre as áreas de intervenção previstas destacam-se a electroencefalografia, a electromiografia, os estudos de condução nervosa, os potenciais evocados e a monitorização neurofisiológica intra-operatória, de acordo com o programa académico e os recursos disponíveis.
Os especialistas defenderam também o reforço da leitura e análise de artigos científicos e da investigação aplicada, de forma a preparar profissionais capazes de interpretar resultados e fundamentar decisões clínicas com base na evidência científica.
A iniciativa enquadra-se nas orientações de ministra da Saúde, Sílvia Paula Valentim Lutucuta, no âmbito do PFRHS, implementado com financiamento do Banco Mundial, que visa diversificar as especialidades da saúde e reforçar a capacidade nacional de diagnóstico e tratamento, para que Angola disponha de profissionais qualificados e reduza a necessidade de evacuações de pacientes para o exterior.

