MIC rejeita balanço de João Lourenço e exige referendo sobre a independência de Cabinda
O Movimento Independentista de Cabinda (MIC) rejeitou o balanço apresentado pelo Presidente João Lourenço no discurso sobre o Estado da Nação, considerando que os indicadores de progresso económico e social anunciados pelo chefe de Estado não reflectem a realidade vivida pela população do território.
Numa declaração divulgada esta sexta-feira, 16 de Outubro, a Direcção Política do MIC sustenta que o desenvolvimento anunciado pelo Presidente angolano não se traduz em melhorias significativas para os cabindeses, que, segundo a organização, continuam a enfrentar pobreza, desemprego, falta de infra-estruturas e um elevado custo de vida.
O movimento, que defende a independência de Cabinda, afirma que o petróleo extraído no território continua a beneficiar o Estado angolano e as suas elites, sem que a população local receba, na sua perspectiva, uma contrapartida proporcional das riquezas produzidas.
A organização contesta igualmente as referências de João Lourenço aos avanços no bem-estar social e considera que o impasse na implementação das autarquias não responde às aspirações políticas dos cabindeses. Para o MIC, a descentralização administrativa não resolve o que classifica como a questão fundamental: o direito à autodeterminação.
Na declaração, o movimento rejeita ainda a atribuição das dificuldades económicas às crises internacionais, argumentando que os problemas de Cabinda resultam da governação angolana e da presença militar no território, que descreve como uma situação de repressão prolongada.
O MIC acusa também as autoridades angolanas de privilegiarem investimentos destinados à propaganda política, em detrimento das necessidades da população. A organização denuncia alegadas perseguições, detenções e silenciamento de políticos, activistas e cidadãos que contestam a situação no território.
A formação independentista considera que João Lourenço termina o mandato presidencial sem alterar o que classifica como uma política histórica de opressão e negação da identidade de Cabinda, comparando o seu legado ao dos anteriores chefes de Estado angolanos.
Como solução para o conflito político, o MIC defende o respeito pelo Tratado de Simulambuco e a realização de um referendo sobre a independência de Cabinda, que considera a única via para uma resolução justa, pacífica e definitiva.
A declaração, assinada pela Direcção Política do Movimento Independentista de Cabinda, foi emitida em Cabinda, a 16 de Outubro de 2026.
CK

