Julgamento do caso Daniela Zeferino marcado por ausência polémica de arguido
O julgamento do caso que envolve a morte de Daniela Zeferino e da sua filha recém-nascida, Yarin, registou esta semana um novo desenvolvimento, após a ausência controversa de um dos principais arguidos, o médico Simão Manuel Hugo, na sessão realizada no Tribunal da Comarca de Luanda.
De acordo com informações apuradas junto de fontes ligadas ao processo, o arguido chegou a estar nas instalações do tribunal, acompanhado por familiares e pela sua advogada, Jessica Manuel, no dia agendado para a audiência. No entanto, acabou por abandonar o local antes de entrar na sala de audiências, numa decisão que terá sido tomada em concertação com a sua defensora.
A ausência ocorreu apesar de o médico estar sujeito à medida de coação de Termo de Identidade e Residência, que o obriga a apresentações periódicas às autoridades, nomeadamente de 15 em 15 dias. Coincidentemente, o dia da audiência correspondia também a uma dessas datas de apresentação.
Segundo as mesmas fontes, o arguido terá alegado que a notificação recebida indicava uma data diferente para o julgamento. Ainda assim, a sua presença no tribunal, no dia e local da audiência, é interpretada como indício de que tinha conhecimento da realização da sessão.
Em caso de dúvida quanto à data, referem fontes judiciais, o arguido poderia ter procurado esclarecimentos junto do cartório da sexta secção dos crimes comuns, o que não terá ocorrido. Pelo contrário, foi comunicado ao tribunal que a sua saída do local teria sido feita por orientação da advogada.
O comportamento é visto por observadores do processo como uma atitude deliberada, levantando questões sobre o respeito pelas instituições judiciais e podendo ter implicações no decurso do julgamento.
Entretanto, o julgamento foi adiado e deverá ser retomado no próximo dia 9 de Junho, mantendo-se a expectativa em torno da evolução do processo.
O caso continua a ser acompanhado com elevada atenção pública, sendo considerado emblemático no debate sobre alegadas falhas no atendimento materno em Angola. O julgamento deverá prosseguir com a adopção de medidas processuais face à ausência do arguido e a continuidade da produção de prova.
Fonte: Club-K

