JOVENS DA MATALA AMEAÇAM SAIR ÀS RUAS SE GOVERNADOR NÃO EXONERAR ADMINISTRADOR

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Jovens de diversos extractos da sociedade no município da Matala ameaçam sair às ruas caso o governador provincial da Huíla, Luís Manuel da Fonseca Nunes, não exonere o administrador municipal da Matala, Miguel António Paiva Vicente.

Texto Jesus Domingos

Segundo o estudante e mototaxista João Segunda, “estamos aqui sem emprego e estamos a trabalhar no táxi mas estão a nos apanhar e ainda colocam circulares nas bombas para que os que não têm capacete não abasteçam. Afinal onde está o problema? Pagamos taxa de circulação e as ruas nem estão asfaltadas e corremos o risco de entrar na via com problemas sérios. Temos documentos e será o capacete o motivo que não pode nos fazer abastecer e andar livremente? Ou é uma oportunidade para nos multarem?”.

Para Luís Cambinda, morador do Bairro Novo vulgo Tchiheingo, acusa o Executivo local de não colocar energia no bairro, pois, “a energia é bem de todos nós, permite com que as nossas crianças não vão distante e assim serem estupradas, mas mesmo com a barragem não tem energia em todas as casas. Quem mete energia é o Estado e não o povo”.

Por outra, Maria da conceição, moradora do bairro Muvale, lamentou a forma como vivem os munícipes. “Contribuímos para a energia chegar às nossas casas e mensalmente pagamos, mas a tal energia é de escala e não nos avisam, e todos os dias passam para cobrar. Mas se é escala porque cortam os que não pagam? Temos mesmo administrador ou não? O hospital não trabalha até à noite e mesmo com bandidos somos obrigados a percorrer quilómetros até a sede para nos tratar, tal hospital nem energia tem e assim afinal é como? A ponte está mal e aqui somos obedientes porque contribuímos e construímos o posto policial e este ano as coisas ficaram mais graves. Na escola não tem energia e alguns alunos estudam em salas sem carteiras e somos obrigados a ir em colégios. Até onde, meu Deus”, lamentou.

O estudante Paulo dos Santos disse: “A vida aqui na Matala é dura e não sei se estamos a avançar ou a voltar. A shoprite fechou, agora o BNI fechou e não sabemos a razão. Se não houver melhorias vamos marchar e vamos exigir a saída do administrador. Pedimos ao senhor governador a sua exoneração”.

Para o jovem Liamanga “é oportuno exigirmos os nossos direitos e transparência na actual administração. Também o administrador está a muito tempo aqui. É necessário que ele saia para vir outro com novas ideias. Estamos cansados das mortes por negligência no hospital, jovens a se matarem e ainda ouvimos uma doença estranha no Bamba que matou crianças. Afinal vamos morrer assim? Estamos cansados. É melhor o administrador sair e por isso vamos nos manifestar se não sair”.

Sob anonimato, um funcionário da administração disse: “Temos rio, terras e se ainda morremos a fome é por causa das más políticas. Não temos lazer e os nossos filhos brincam nas discotecas e as escolas estão cheias de alunos e não há ensino de qualidade. Precisamos melhorar e por isso manifestação é boa ideia”.

Segundo o secretário do projecto Okulinga, Miudo Tchitala, “a voz do povo é a voz de Deus. Um governante escuta a voz do povo, então deve o governador atender ao pedido do povo se queremos continuar firme e a combater a corrupção”.

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