ISABEL DOS SANTOS EXPULSA DA GESTÃO DA CRUZ VERMELHA DE ANGOLA

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A empresária Isabel dos Santos foi destituída da presidência da Cruz Vermelha de Angola (CVA), num encontro nacional de funcionários e voluntários realizado a 27 de Fevereiro, em Luanda.

O encontro, ao abrigo dos estatutos da organização e da lei das associações, decorreu semanas após a queixa de 13 meses de salários em atraso apresentada ao Chefe de Estado, João Lourenço, enquanto presidente honorário.

Funcionários e voluntários avançaram para a eleição de uma comissão de gestão, liderada por Baltazar Pedro, que conduzirá os destinos da Cruz Vermelha de Angola nos próximos seis meses.

Até à realização de uma assembleia para que surja um novo corpo directivo, conforme o comunicado que fala das conclusões e recomendações, a antiga administradora da Sonangol e coadjutores, suspensos, ficam sob inquérito, à espera dos resultados de duas auditorias, uma interna e outra externa.

A conta bancária da CVA vai ser bloqueada e cancelada, ainda antes da abertura de uma nova, já sob as rédeas da comissão de gestão.

Entre as 12 recomendações, está a inventariação de todos os bens móveis e imóveis, solicitada já pela Polícia Económica no início da investigação de indícios de fuga ao fisco através desta organização.

Nas reacções, o activista e jornalista Rafael Marques, após ter sugerido o fim dos 12 anos de um mandato que classificou de negativo, recorre a uma analogia para defender que é preciso analisar o perfil dos próximos gestores.

“Estamos a ver, por exemplo, o Governo de João Lourenço, que fez demissões bastante aplaudidas e depois nomeou indivíduos que … praticamente retiraram credibilidade e a seriedade que se impunha. Portanto, se tirar alguém que não trabalha e colocar outra pessoa que não trabalha, as coisas não mudam. É o mesmo que tirar um corrupto e colocar outro, nada muda’’, sustenta Marques, apologista de uma direcção capaz de dizer presente sempre que chamada a intervir em casos de emergência.

Já o consultor social João Misselo da Silva, secretário executivo da Organização Humanitária Internacional em Benguela, acredita no resgate da credibilidade perdida até a nível de parceiros externos.

“É preciso redefinir acções, internamente, que promovam a cidadania e o desenvolvimento humanitário nas comunidades. Falo concretamente na saúde e educação, assistência social e a CVA tem capacidade, está nas dezoito províncias do país’’, sugere Silva

Não se conhece até agora qualquer reacção de Isabel dos Santos, que optou por não marcar presença no encontro de Luanda, apesar de convidada, à semelhança do seu secretário-geral, Walter Quifica, acusado de ter desviado mais 50 milhões de kwanzas disponibilizados pelo Ministério da Saúde para o pagamento de salários.

Fonte: VOA

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