Fiscais da Administração de Talatona destroem obras de camponeses da “Ana Ndengue” com apoio da Polícia Nacional

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Mais de vinte viaturas patrulhas da Polícia Nacional são citadas de terem dado protecção aos fiscais da Administração Municipal de Talatona, que na manhã de quinta-feira, 8, destruíram todas as obras que estavam a ser erguidas pelos camponeses da associação “Ana Ndengue”, tendo igualmente levado todo o material de construção civil.

No local, segundo apurou este portal, são visíveis os vestígios do martelo demolidor, um cenário que as vítimas dizem fazer lembrar os tempos do conflito armado. “Eles vieram com 21 carros da polícia armados e queriam nos matar, pois usar a força, mais uma vez maltratando as camponesas”, disse uma das vítimas.

O litígio fundiário entre a cooperativa “Lar do Patriota” e os camponeses da associação “Ana Ndengue” dura há mais de 20 anos, cujo desfecho parece não ter fim a vista, apesar de o processo correr trâmites em tribunal.

Entretanto, no dia 23 de Novembro último, os litigantes deviam responder, mas o advogado Belo Mangueira, da cooperativa “Lar do Patriota” apresentou um “documento médico”, alegando que estava doente e por este facto não podia fazer parte da audiência do julgamento, pelo que o juiz da causa teve que remarcar a sessão para o próximo dia 20 de Janeiro de 2023.

Os camponeses voltam a denunciar que, os responsáveis deste conflito de terra são o comissário e comandante de Talatona, Joaquim do Rosário e o antigo secretário-geral do MPLA, general Julião Mateus Paulo “Dino Matross”, que usam a Polícia Nacional para agredir e destruir as obras dos camponeses, visto que os mesmos têm autorização do Tribunal de Luanda para construir, enquanto decorre o processo em julgamento.

O presidente da associação “Ana Ndengue”, Santos Mateus Adão, condenou aquilo a que chamou de “mais uma acção ilegal das autoridades”, que segundo o responsável “desrespeitaram o tribunal”.

Santos Mateus Adão, que acredita num desfecho favorável por entender que os camponeses são os legítimos proprietários do terreno mais de 600 hectares na zona do Lar Patriota, município de Talatona, em Luanda, apela ao ministro do Interior, Eugénio Laborinho, a dar ordem à Polícia Nacional para que pare de usar a força contra os camponeses indefesos, bem como ao Presidente da República, João Lourenço, a tomar “medidas” ao comandante da Polícia do Talatona, comissário Joaquim do Rosário, aquém os camponeses acusam de estar a usar órgãos do Estado para proteger interesses pessoais.

Enquanto isso, o porta-voz dos camponeses, Raimundo Gualdino, que esteve presente no momento que foram surpreendidos pelos fiscais e agentes da polícia, descreveu: “o que ocorreu na manhã desta quinta-feira, 08, é que a Polícia Nacional, os agentes da fiscalização e alguns homens do SIC chegaram às primeiras horas para destruir os quintais e obras dos filhos de camponeses que estavam a levantar”, sem, no entanto terem apresentado qualquer documento judicial, que desse tal poder.

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