Disputa pelo poder tradicional: Tribo Songo acusa etnia tchokwe de usurpar reinado na Lúbia

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A maior parte dos habitantes do munícipes da Lúbia, na província do Bié, manifesta-se preocupada com os “conflitos”, que envolvem a disputa do poder tradicional entre as comunidades locais e cidadãos oriundos de outras regiões do país, com destaque para os do leste de Angola.

No local, a nossa reportagem ouviu depoimentos dos moradores maioritariamente pertencentes aos grupos étnicos Songo e Ovimbundu, que se queixam de um suposto enfraquecimento da sua linhagem cultural, atribuído à presença crescente de cidadãos do grupo Tchokwe, que, alegadamente, estariam a impor novas dinâmicas sociais nos bairros que circundam o município recém-constituído.

A tensão entre os dois grupos étnicos aumentou após a nomeação de um novo Regedor pela Administração Municipal da Lúbia – de uma figura que alegadamente não faz parte da linhagem

Os residentes, que se identificam como originários da região, alertam para possíveis consequências. “Esta situação pode gerar, nos próximos dias, graves problemas de convivência”, afirmou um morador, acrescentando que “a comunidade que está a instalar-se não respeita os nativos e exige que, em cada bairro, existam regedores pertencentes ao seu grupo”.

Para os naturais da Lúbia, este tipo de comportamento representa uma ruptura com os costumes locais. “Isso vem, mais uma vez, quebrar as nossas tradições. Há muitas contradições e falta de respeito para com quem não partilha das mesmas ideias”, lamentou outro munícipe.

Face ao cenário, os moradores apelam à intervenção urgente das autoridades administrativas e das estruturas tradicionais, no sentido de restaurar a harmonia social e evitar o agravamento da situação.

Contactado via telefônica o administrador municipal da Lúbia, Alfredo Kapitango Vieira, que não se encontrava na instituição, não prestou declarações, alegando a falta de comunicação prévia por parte dos jornalistas.

“Os senhores não anteciparam a comunicação, e desconheço o objectivo da vossa presença no município”, afirmou o governante, tendo acrescentado que se encontrava num seminário na cidade do Kuito, capital da província do Bié.

Posteriormente, através de mensagem, o responsável pediu compreensão, justificando a indisponibilidade com compromissos previamente agendados. “Se tivessem informado com antecedência, teria todo o prazer em recebê-los. Estou com a agenda apertada, sobretudo porque devo deslocar-me a Luanda no âmbito da visita papal, após uma formação”, concluiu.

A Lúbia é um dos novos municípios da província do Bié, que resultou da nova Divisão Política-Administrativa do país e conta com mais de oito mil habitantes, que enfrentam a falta de energia, água potável, estradas e outros serviços sociais, apesar de ser uma região rica em diamantes.

CK

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