Disputa de terras: Famílias denunciam torturas e ocupação ilegal de suas parcelas no Zango 8000 pelo senhor Tchizala

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Mais de 500 famílias, que residem em habitações precárias, no bairro Zango 4, no município do Calumbo, província do Icolo e Bengo denunciam que, nos dois meses, têm vivido um clima de terror com a ocupação ilegal de suas terras nas proximidades do Hispital da Centralidade 8000, por elementos bem identificado, que contrataram homens armados com catanas, facas e outros objectos contundentes.

Falando em conferência de imprensa nesta segunda-feira, 17 de Agosto, as famílias, na sua maioria camponesas, contam que o conflito de terras, que se arrasta há mais de dois meses tem como o rosto de invasores um senhor identificado apenas por Tchizala, que se assume ser o coordenador da associação de camponeses, que terá contratado homens que têm usado a violência contra as famílias.

Durante uma conferência de imprensa, os camponeses afirmaram que ocupam e exploram aproximadamente 42 hectares de terra, onde desenvolvem actividades agrícolas de subsistência desde a década de 80, por isso reivindicam o direito de continuar a utilizar os terrenos.

O cidadão Augusto de Oliveira, que falou em nome da maioria, explicou que o conflito começou depois de uma pessoa ter aparecido no local e iniciado o parcelamento da área. Posteriormente, segundo o denunciante, outro grupo passou a impedir os trabalhos dos moradores, tendo ocorrido episódios de agressão.

Augusto de Oliveira afirmou ter sido igualmente vítima de agressão durante uma tentativa de apropriação do terreno, da qual teria resultado uma fractura num dos dedos.

As denúncias foram reforçadas por moradoras, entre as quais Fernanda e Maria de Fátima, que relatam episódios de detenção que consideram injusta e agressões com recurso a catanas e facas. As cidadãs afirmam ainda que um dos jovens que defendia o terreno terão ficado gravemente feridos durante um dos confrontos.

Por sua vez, o coordenador do bairro, Ernesto Caimbo, também manifestou preocupação com a situação e contestou a alegada exigência de integração dos moradores numa associação como condição para terem acesso ou direito à terra.

Segundo Ernesto Caimbo, algumas famílias vivem na região desde 1970, enquanto, em 2014, o Governo teria destinado uma área situada na parte inferior dos prédios do “8 Mil” à actividade dos camponeses.

O responsável comunitário acrescentou que, ao longo dos anos, as famílias foram repartindo os lotes entre os seus filhos, com o objectivo de permitir a construção de habitações e garantir a continuidade das actividades agrícolas.

Os moradores questionam, por isso, a intervenção de terceiros que, segundo afirmam, procuram beneficiar-se de terrenos que vêm sendo ocupados e trabalhados pelas famílias há décadas.

Perante o agravamento do conflito, os camponeses apelam à intervenção do Governo Provincial do Icolo e Bengo e da Administração Municipal do Calumbo, solicitando uma mediação que permita esclarecer a titularidade dos terrenos, travar os actos de violência e encontrar uma solução para as famílias envolvidas.

Os moradores defendem que a resolução do diferendo deve passar pelo diálogo e pelo respeito pelos direitos de posse e habitação, evitando novos confrontos e garantindo segurança às famílias que vivem e trabalham na área.

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