Lunda-Norte: Segurança da empresa Kadyapemba acusada de balear garimpeiro em Cafunfo
Um cidadão de 36 anos de idade encontra-se em estado grave, a lutar pela vida num posto médico da Sociedade Mineira do Cuango (SMC), depois de ter sido alegadamente atingido com uma pedra na cabeça e, posteriormente, baleado pelas costas por um efectivo da empresa privada de segurança Kadyapemba, que presta serviço na região diamantífera da província da Lunda-Norte.
Segundo a denúncia a que O Decreto teve acesso, a vítima, identificada como Evaristo Milonga Paulo, participava numa actividade de garimpo de sobrevivência na zona de Bula, município de Cafunfo, quando ocorreu o incidente, nas primeiras horas desta quarta-feira, 8 de Julho.
Segundo testemunhas ouvidas, tudo terá começado quando um agente de segurança da empresa privada Kadyapemba, alegadamente lançou uma pedra que atingiu Evaristo Milonga Paulo na cabeça. Ainda segundo os relatos, o segurança terá afirmado que assumiria as despesas do tratamento da vítima.
Momentos depois, quando outros garimpeiros começaram a aproximar-se do local, o presumível autor terá tentado abandonar a área, deixando cair a sua carteira pessoal, que continha vários documentos. As mesmas fontes afirmam que, ao regressar para recuperar a carteira, e quando a vítima tentava entregar-lhe o objecto, o segurança terá manipulado a arma de fogo e efectuado um disparo que atingiu Evaristo Milonga Paulo pelas costas.
A vítima foi imediatamente socorrida e transportada para um posto médico da Sociedade Mineira do Cuango, onde permanece internada em estado considerado grave, sob cuidados médicos.
Entretanto, familiares de Evaristo Milonga Paulo afirmam desconhecer o seu estado clínico. Segundo as informações recolhidas, depois de dar entrada na unidade sanitária, a vítima terá sido vestida com um uniforme de trabalhadores da Sociedade Mineira do Cuango, circunstância que levanta novas dúvidas e preocupações entre pessoas próximas.
Este caso volta a levantar sérias preocupações sobre as sucessivas denúncias de violência envolvendo empresas privadas de segurança que operam nas zonas mineiras da Lunda-Norte.

Organizações da sociedade civil e defensores dos direitos humanos têm denunciado, ao longo dos últimos anos, alegados casos de agressões, espancamentos, desaparecimentos e mortes de garimpeiros artesanais, sem que muitos dos processos conhecidos resultem em responsabilização criminal dos seus autores.
Perante mais este caso, cresce a pressão para que as autoridades competentes conduzam uma investigação célere, independente e transparente, com vista ao apuramento dos factos e à eventual responsabilização dos envolvidos.
O Decreto procurará obter a versão da empresa de segurança visada, da Sociedade Mineira do Cuango e das autoridades policiais sobre este caso, actualizando a informação logo que haja um pronunciamento oficial.
O Decreto

