UNITA contabiliza mais de 20 militantes feridos incluindo mulheres pela repressão policial no Uíge
Pelo menos 27 militantes da UNITA ficaram feridos neste sábado, 8 de Agosto, como consequência do uso da força pela Polícia Nacional na cidade do Uíge, durante a repressão que impediu a realização de um acto político dos “maninhos”.
Segundo dados avançados pelo porta-voz da UNITA, Fernando Falua, entre os cidadãos feridos graves e ligeiros constam homens e mulheres, sendo que o maior de idade tem 66 anos.
Fernando Falua, que condenou a acção do Comando Provincial da Polícia do Uíge, o clima de tensão aumentou logo com a chegada do líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior à cidade do bago vermelho, mas argumentou que a primeira provocação aconteceu no acampamento da JURA, no município do Negage, acto supostamente protagonizados alegados militantes do MPLA.
Clima de tensão na cidade do bago vermelho
Um clima de tensão marcou, na manhã deste sábado, 8, a cidade do Uíge, onde estava previsto um acto político da UNITA, que deveria ser dirigido pelo presidente do partido, Adalberto Costa Júnior
A actividade foi antecedida por um impasse entre a direcção da UNITA, o Governo Provincial do Uíge e a Polícia Nacional, depois de as autoridades terem, segundo declarações do presidente do partido, impedido a realização do acto no local inicialmente proposto pela UNITA.
De acordo com Adalberto Costa Júnior, o governador provincial terá sugerido um outro espaço para a realização da actividade, que, segundo o líder da UNITA, não reunia as condições necessárias para acolher o evento.
Perante a situação, a direcção do partido decidiu realizar o acto nas imediações do seu Secretariado Provincial. No entanto, segundo a UNITA, as principais vias de acesso à sede provincial foram interditadas por efectivos da Polícia Nacional, dificultando a chegada dos militantes ao local.
Adalberto Costa Júnior e outros membros da direcção do partido conseguiram chegar à sede provincial, enquanto vários militantes ficaram impedidos de aceder ao espaço.
Segundo relatos apresentados pela direcção da UNITA, efectivos da Polícia Nacional, alegadamente em cumprimento de orientações superiores, fizeram uso de gás lacrimogéneo e efectuaram disparos durante a dispersão dos cidadãos que se encontravam nas proximidades do Secretariado Provincial.

A UNITA afirma que alguns dos seus militantes foram atingidos pelo gás lacrimogéneo e apresentaram sinais de indisposição durante o incidente.
Em declarações aos órgãos de comunicação social, Adalberto Costa Júnior considerou que situações desta natureza podem colocar em causa o exercício dos direitos e liberdades fundamentais num Estado democrático.
O líder da UNITA afirmou ainda que o partido está a trabalhar no sentido de responsabilizar os órgãos e agentes que considera terem estado envolvidos nos acontecimentos. Acrescentou que a Presidência da República já teria sido informada sobre a situação e que aguardava por uma resposta das autoridades competentes.
UNITA questiona actuação das autoridades
Adalberto Costa Júnior relacionou igualmente o episódio com aquilo que classificou como uma situação de “bicefalia”, pelo facto de o governador provincial exercer também funções de primeiro secretário provincial do partido que governa o país.
O presidente da UNITA afirmou que a direcção do partido havia comunicado previamente às autoridades a realização do acampamento da JURA e do acto político de massas agendado para este sábado, 8 de Agosto.
Segundo o líder partidário, à chegada da delegação ao Uíge, foram encontradas bandeiras do partido no poder em diferentes pontos da cidade, incluindo nas proximidades da sede provincial da UNITA.
Adalberto Costa Júnior considerou que esta situação poderá fazer parte de uma estratégia destinada a provocar reacções da UNITA e, posteriormente, responsabilizar o partido por eventuais actos de vandalismo.
“Não vamos ceder a estes insultos”, afirmou o presidente da UNITA, defendendo que “Angola é de todos os angolanos”, tendo reiterando o apelo à responsabilização pelos acontecimentos intolerância política registados na proíncia do Uíge, a um ano das Eleições Gerais previstas para Agosto de 2027.

