Presidente do Partido Liberal acusa Ministério da Saúde de alimentar “esquemas de desvio de milhões” dos cofres do Estado

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O líder do Partido Liberal (PL), Luís de Castro, acusou nesta sexta-feira, 6 de Dezembro de 2025, o Ministério da Saúde (MINSA) de se ter transformado num dos principais canais de drenagem de dinheiros públicos.

Na visão de Luís de Castro, os recursos estariam a ser desviados através de contratos por ajuste directo atribuídos a empresas nacionais e estrangeiras, com destaque para a Alfamed Gestão.

Numa comunicação pública dirigida aos “angolanos e angolanas”, após o período festivo do Natal, Luís de Castro afirmou que, ao longo de quatro anos, o seu grupo reuniu um vasto conjunto de informações provenientes de vários departamentos ministeriais, entre os quais Saúde, Energia e Águas, Transportes, Finanças, Recursos Minerais, Petróleo e Gás.

Para o presidente do Partido Liberal, os dados recolhidos apontam para a existência de esquemas organizados de desvio de recursos do Estado, com o envolvimento de empresas privadas e de figuras ligadas aos centros de decisão política.

De acordo com Luís de Castro, a decisão agora tomada passa por expor publicamente esses esquemas, começando pelo sector da Saúde, onde, segundo afirmou, vigora um verdadeiro monopólio na contratação directa de obras públicas, em contradição com os discursos oficiais sobre transparência, concorrência e boa governação.

O político recordou que, desde 2017, o Presidente da República tem defendido o fim dos monopólios na adjudicação de contratos públicos, mas sustenta que, na prática, o sector da Saúde continua dominado por um grupo restrito de empresas, entre as quais Alfamed Gestão, Ametrel, Makiber, empresas ligadas ao grupo espanhol ACES, a AESGCS UK, a Al Arabia General Contracting, o Grupo EGEM, a TDGI, entre outras.

Neste primeiro episódio de denúncias, Luís de Castro concentrou-se exclusivamente na Alfamed Gestão, que classificou como uma das principais beneficiárias de ajustes directos no Ministério da Saúde. Segundo afirmou, a empresa lidera vários consórcios e contratos locais, sendo que, em muitos casos, a execução efectiva das obras fica a cargo de empreiteiros estrangeiros.

Entre os exemplos citados está a empresa portuguesa DST, que surge como empreiteiro principal em vários projectos, enquanto a Alfamed aparece como detentora formal das obras, nomeadamente em hospitais nos municípios de Viana e Cacuaco, em Luanda.

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