Movimento do Protectorado Lunda-Tchokwe rejeita alteração de símbolos da organização e acusa Zecamutchima de falta de legitimidade

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O Movimento do Protectorado Português Lunda-Tchokwe (MPPLT) afirma que tomou conhecimento de uma publicação nas redes sociais, supostamente feita por José Domingos Mateus Zecamutchima, que de acordo com a organização, continua auto- intitular-se como presidente do Movimento da Lunda, querendo “abusivamente” alterar símbolos da organização para o seu benefício.

A organização afirma que Zecamutchima perdeu total legitimidade para representar o movimento após a sua destituição do cargo por alegada violação dos estatutos e reafirma o compromisso com a manutenção dos símbolos tradicionais do MPPLT.

José Domingos Mateus Zecamutchima anunciou a alteração dos símbolos oficiais do Movimento Protectorado, bem como dos emblemas da Juventude Patriótica Lunda Tchokwe (JUPLE) e da União da Mulher Lunda Tchokwe (UMULE), alegando a existência de cartões de membro, credenciais e outros documentos falsificados.

A decisão, segundo ele, foi tomada por unanimidade durante uma reunião ordinária do Comité Político, realizada no dia 3 de Outubro, sob a presidência de Zeca Mutchima, ressaltando que a medida visa combater a alegada emissão de documentos por indivíduos não autorizados, situação que, de acordo com o documento, poderá induzir em erro os membros, a população, as autoridades e os seus parceiros.

Na mesma nota, José Mateus Zecamutchima declara nulos os símbolos, cartões e documentos anteriormente utilizados, anunciando que estes deixarão de ser reconhecidos pela organização.

Contestação

Entretanto, num comunicado dirigido aos membros da organização, à população em geral, à comunidade angolana e à comunidade internacional, assinado por Fiel Muaco, líder interino, o Movimento do Protectorado Português da Lunda-Tchokwe esclarece que o antigo presidente não tem poderes para modificar os símbolos da estrutura após a sua destituição.

“O cidadão José Domingos Mateus  Zecamutchima, ex-presidente do Movimento, desde a data da sua destituição, até ao presente momento não tem legitimidade de alterar nenhum elemento nos símbolos do Movimento”, refere o documento.

A organização sustenta que os seus símbolos representam um património colectivo, construído ao longo da sua história, e não devem ser alterados em função de interesses individuais.

No comunicado enviado à redacção do Club-K o movimento defende que a principal aspiração da população da Lunda está relacionada com a autonomia e o desenvolvimento da região, criticando aquilo que considera ser o uso de cartões e diplomas de mérito para benefício pessoal.

“O povo da Lunda necessita de autonomia, para atingir o desenvolvimento desejado”, afirma a organização, acrescentando que a sua prioridade deve continuar centrada nas reivindicações políticas e sociais da população.

O movimento considera ainda que a alegada alteração dos símbolos poderá induzir a opinião pública em erro quanto à sua identidade e liderança. No mesmo documento, sugere que a atitude de José Mateus Zecamutchima poderá estar relacionada com uma eventual aproximação a outra força política angolana.

O Movimento do Protectorado Português da Lunda-Tchokwe garante que vai continuar a utilizar os símbolos que tradicionalmente a identificam, com uma alteração específica nos cartões de identidade dos membros: a retirada da imagem do ex-presidente Zecamutchima.

Para justificar essa decisão, o movimento recorda declarações que atribui a José Domingos Mateus, que teria afirmado não conhecer suficientemente a realidade da Lunda nem a situação de miséria vivida pela população, por ter saído da região Leste de Angola aos 16 anos. A declaração é apresentada no comunicado como uma das razões para a retirada da sua fotografia dos cartões dos membros.

Perante este cenário, o Movimento do Protectorado Português Lunda Tchokwe apelou à vigilância dos seus membros e apoiantes, manifestando preocupação com o futuro da organização e com a preservação do legado político que afirma representar.

“Apesar de ter recebido missão de destruir a Organização, o povo não vai permitir!”, declara o movimento, numa afirmação em que atribui a terceiros uma intenção de enfraquecer a estrutura.

Na parte final do documento, a organização levanta questões sobre as consequências do conflito interno, recordando as vidas perdidas e os cidadãos que identifica como presos políticos da Lunda.

“Como é que ficam as vidas perdidas? Como é que ficam as centenas de presos políticos que a Lunda tem?”, questiona.

O movimento conclui que, mesmo perante eventuais dificuldades, pretende assegurar a continuidade do seu projecto político através das novas gerações, reafirmando que a sua identidade e os seus objectivos não dependem de uma única figura.

Destituição

José Mateus Zecamutchima terá sido afastado da liderança da organização em Setembro de 2025 pelos membros do Comité Nacional, por alegada violação dos estatutos da organização.

Na altura, o movimento que luta pela autonomia da região leste do país, anuncia que a decisão foi tomada após a constatação de uma “clara violação dos Estatutos” pelo então líder, que nos dias 9 e 10 de Setembro do ano passado, teria realizado, em Luanda, ao “arrepio dos princípios”, uma suposta convenção com um grupo de seis pessoas presentes, incluindo indivíduos que não fazem parte do movimento.

CK

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