Líder do PRS condena mortes de garimpeiros em zonas de exploração de diamantes sob olhar “silencioso” das autoridades

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O Partido de Renovação Social (PRS) procedeu neste domingo, 26 de Abril, na cidade de Saurimo, província da Lunda-Sul, à abertura do ano político 2026, em acto que contou a participação de centenas de militantes, amigos e simpatizantes do partido, cuja cerimónia foi orientada pelo seu líder Benedito Daniel, sob o lema: “2026 – PRS, defender o povo, renovar o país, construir a nação”.

Realizado no centro da cidade, o acto político de massas foi antecedido de uma marcha, que percorreu algumas das artérias de Saurimo saíndo da sede do PRS até ao local da actividade sob a escolta policial num percurso de poucos quilómetros com o ritmo da tradicional tchianda.

No seu discurso de aproximadamente uma hora, transmitido em português e posteriormente em tchokwe, língua local, o presidente do Partido de Renovação Social, que começou por manifestar solidariedade com as famílias vítimas das últimas chuvas no país, principalmente às da província de Benguela, apelou aos militantes e quadros da sua formação política a redobrar os esforços com vista a sua participação exitosa nas Eleições Gerais de 2027.

Benedito Daniel ressaltou que, durante o ano de 2025, o PRS “trabalhou muito graças a entrega  dos seus militantes”, que segundo o político, tudo fazem para defender a sua matriz ideológica e esclarecer o fundamento do seu projecto de implementar o federalismo em Angola para a região leste em geral e a Lunda, em particular.

“2025 foi um ano de luta, e fruto desta luta somamos victórias, pois conseguimos abrir comités e respectivos secretariados executivos municipais e das organizações de base do Alto Chicapa, Cassengo, Cassai Sul, Cazagi, Luma Cassai, Muanguegi, Muriege, Sombo, Tchiluage e Xassengue, assim como reforçamos a estrutura do Dala, de Muconda, de Saurimo e de Cacolo”, afirmou.

Segundo Benedito Daniel, ao longo do ano transato, o trabalho desenvolvido permitiu levar a mensagem de renovação social aos jovens de todos os municípios e foi possível levar 300 jovens para a Juventude de Renovação Social (JURS). “Apesar das dificuldades, conseguimos levar a voz das comunidades às Administrações municipais junto de quem tem o dever de resolver os problemas”, disse.

O político reconheceu que, “se por um lado registamos este sucesso do nosso trabalho, por outro temos de reconhecer também que ainda  somos poucos nos bairros, há desafios por vencer pois há ainda militantes que só aparecem no tempo das camisolas”.

Situação social e económica da população da Lunda-Sul

Quanto à condição socioeconómica da população da província da Lunda-Sul, o presidente do PRS sublinhou que a cidade de Saurimo cresce, “mas nos bairros Txizainga, Candembe e na maioria dos bairros e aldeias falta água potável, energia eléctrica (não tem luz) e escolas”, ressaltando que “o Hospital Provincial não tem reagentes, os doentes são obrigados a comprar luvas nas farmácias enquanto no governo provincial sobram carros novos”.

De acordo com a constatação do Partido de Renovação Social, apesar da riqueza que a província da Lunda-Sul produz para o país, a população local enfrenta níveisde pobreza e miséria acentuados, onde “não há  emprego para os jovens que diante da luta pela sobrevivência veêm-se obrigados a ir para o garimpo ilegal, onde os seus direitos são violados de forma constante”.

Benedito Daniel disse que os jovens que se dedicam ao garimpo artesanal de diamantes na região “sofrem todo tipo de exploração por aqueles que se sentem donos dos diamantes”, denunciou acrescentando que “alguns são mortos sob o olhar das autoridades, cujo silêncio aprova a impunidade dos violadores da Constituição da República de Angola e da Lei”.

Por isso, o líder dos renovadores sociais exige da Procuradoria-Geral da República (PGR), autoridades responsáveis pela garantia da segurança dos cidadãos e dos tribunais “o impedimento dessas acções para que não se permita mais que angolanos morram apenas por ter nascido na terra de diamantes”, frisou o político, para quem “que sejam punidos os que violam os direitos humanos aqui na Lunda-Sul e em todo o país”.

Afirmou que o seu partido procedeu a abertura do ano político de 2026 “para dizer basta  de Angola, que é um território considerado rico em recursos naturais e o povo continua na miséria”. Segundo Daniel, “vamos estar ao lado do camponês a quem tiram a terra para dar às empresas que não cumprem a lei, fiquemos ao lado do garimpeiro que é perseguido enquanto os grandes levam os diamantes, do empresário que não consegue manter o seu negócio devido ao elevado peso dos impostos, da mamã zungueira que procura comida para dar de comer aos filhos”, disse.

“Angola é de todos nós, não pode continuar a ser dos que se acham seus donos. Então, levemos a mensagem de renovação social, porque renovar é acabar com a política de exclusão, isto é  valorizar todos sem distinção de opções ideológicas, crença religiosa, cor, raça e etnia”, sustentou.

Benedito Daniel fez saber que o Partido de Renovação Social “é constituído por pessoas pacíficas que respeitam o espaço dos outros partidos e as opções dos cidadãos. É assim que se constrói o país e será assim que vamos governar a partir de 2027 quando  o PRS for governo”, por isso, segundo o presidente do PRS, “insto a todos os militantes no sentido de arregaçar as mangas para passar a nossa mensagem ao povo”.

O encontro reuniu igualmente os secretários provinciais da Lunda-Sul (anfitrião), Moxico, Lunda-Norte, Moxico Leste e Malanje. Nas Eleições Gerais realizadas em Agosto de 2022, o Partido de Renovação Social (PRS), sob liderança de Benedito Daniel foi o terceiro partido mais votado, depois do MPLA e da UNITA, obtendo dois deputados à Assembleia Nacional.

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