Icolo e Bengo: Moradores denunciam demolições para alegada venda de terras a empresas chinesas e relatam duas mortes

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Imagem: Coub-K

Friends of Angola pede investigação independente sobre denúncias de coação, destruição de habitações e violência no bairro Vila Verde Cativa, no município do Sequele.

Moradores do bairro Vila Verde Cativa — Sector 1, na província do Icolo e Bengo, denunciam a demolição das suas habitações e a alegada apropriação de terrenos para posterior venda a empresas chinesas. Segundo os residentes, uma mulher e uma bebé recém-nascida morreram durante os acontecimentos associados às demolições. Há também relatos de feridos.

Os moradores, que afirmam viver na comunidade há mais de 40 anos, dizem ter sido pressionados, por meio de chantagem e intimidação, a ceder a maior parte das suas terras. Alegam que, mesmo depois dessas cedências, as suas casas foram demolidas.

A identidade das empresas alegadamente beneficiárias, a existência de contratos de venda ou cedência e a fundamentação administrativa das demolições permanecem por esclarecer.

Moradores relatam mortes e ferimentos

Segundo os testemunhos apresentados, uma mulher morreu de enfarte após presenciar a demolição da sua casa. Os residentes relatam ainda que uma bebé recém-nascida morreu no interior de uma habitação durante a demolição e que alguns moradores foram feridos por indivíduos armados.

As circunstâncias das mortes e dos ferimentos relatados não foram confirmadas de forma independente para este artigo. O seu esclarecimento exige a recolha de testemunhos, registos médicos e outros elementos de prova.

De acordo com a Friends of Angola, as imagens a que a organização teve acesso mostram elementos armados, aparentemente pertencentes à Polícia Nacional e às Forças Armadas Angolanas (FAA). A identificação desses elementos e a sua eventual participação nos atos denunciados também carecem de confirmação.

Denúncias anteriores no mesmo bairro

As denúncias atuais surgem depois de outros casos de demolição noticiados em Vila Verde Cativa.

Em junho de 2026, a Rádio Angola publicou a denúncia de Gregório Victorino Satchihama, antigo presidente da Comissão de Moradores, que acusou responsáveis da fiscalização municipal do Sequele de ordenar a demolição da sua residência sem notificação prévia.

Em julho, o Portal TV Nzinga noticiou o caso de Vilma Luzia Bumba Pazito Diata, que reclamava uma indemnização de 28.060.000 kwanzas pela demolição de uma habitação que, segundo afirmou, havia sido construída com autorização da administração.

Esses casos constituem antecedentes de denúncias no mesmo bairro, mas não confirmam as alegações relativas às mortes, aos ferimentos ou à eventual venda de terrenos agora relatadas.

Friends of Angola pede intervenção urgente

Perante a gravidade das denúncias, a Friends of Angola apela à intervenção do governador da província do Icolo e Bengo, Auzílio de Oliveira Martins Jacob, e solicita uma investigação urgente, independente e transparente.

A organização defende a suspensão das demolições e das operações de transferência dos terrenos em disputa até ao esclarecimento dos factos. Pede também a divulgação das autorizações administrativas e de eventuais contratos de venda ou cedência, bem como a identificação das entidades envolvidas.

Entre as medidas propostas estão a assistência médica e psicológica, o alojamento seguro e o apoio alimentar às famílias afetadas, além da proteção dos moradores e das testemunhas contra ameaças ou represálias.

A Friends of Angola condena a tomada de terras por coação e a destruição arbitrária de habitações, defendendo que nenhum interesse económico pode justificar colocar em risco a vida e a dignidade das comunidades.

A organização apela igualmente ao acompanhamento do caso pelo Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, e à participação de líderes políticos, tradicionais e religiosos na procura de uma solução pacífica e transparente.

Este artigo não dispõe de uma posição das autoridades provinciais, da administração municipal, das forças de segurança ou das empresas mencionadas nas denúncias. As suas respostas são essenciais para esclarecer os acontecimentos e deverão ser incorporadas numa atualização.

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