Denúncias de supostas escutas telefónicas criam clima de medo no MPLA
A alegada existência de um sistema de escutas telefónicas envolvendo dirigentes e quadros históricos do MPLA voltou a lançar inquietação no espaço político angolano. Informações avançadas por fontes não oficiais apontam para uma suposta monitorização destinada a identificar quem, dentro e fora do partido, está alinhado com o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço.
Segundo essas informações, a vigilância não se limitaria ao universo interno do MPLA. Abrangeria igualmente figuras públicas e críticos que, sobretudo nas redes sociais, têm expressado posições incómodas ao poder. A alegação mais grave é a de que essa monitorização ocorreria de forma contínua, há meses, dia e noite.
Até ao momento, não existe qualquer confirmação oficial por parte das autoridades, das empresas de telecomunicações ou dos Serviços de Inteligência. O silêncio é total. E é precisamente esse silêncio que alimenta o medo.
Em Angola, as suspeitas de escutas e monitorização de cidadãos não são novas. Muitos recorrem ao WhatsApp e a outras plataformas digitais acreditando encontrar ali algum espaço de liberdade. Ainda assim, o receio permanece: fala-se em voz baixa, escreve-se com cautela, apaga-se mensagens. Vive-se, na prática, um clima de vigilância psicológica permanente.
O mais preocupante é que, a existirem, tais práticas não têm enquadramento legal conhecido, o que levanta sérias questões sobre direitos fundamentais, privacidade e liberdades individuais num Estado que se diz democrático.
Hoje, no nosso espaço de Linha Aberta, deixamos algumas questões aos ouvintes:
-Num Estado de Direito, é admissível que existam escutas telefónicas fora do quadro legal?
– O silêncio das autoridades e das empresas de telecomunicações protege a segurança nacional… ou alimenta a desconfiança pública?
– O medo de falar livremente não é, por si só, um sinal de falha democrática?
– Quem fiscaliza quem escuta? E quem protege o cidadão comum?
Fonte: Rádio Despertar

