Caso Konda Marta: Reitor do Campus Universitário e Administração da Camama recusam-se falar aos jornalistas
Ouvir:
A Administração Municipal da Camama, na pessoa do administrador-adjunto para área técnica e o reitor do Campus Universitário, Pedro Magalhães recusaram-se a pronunciar-se pronunciar sobre alegada usurpação dos terrenos da empresa Konda Marta, supostamente por entidades ligadas às duas instituições públicas, apesar da “insistência” dos jornalistas.
Na manhã quarta-feira, 25 de Março de 2026, um grupo de jornalistas de diversos órgãos de comunicação social privados deslocaram-se à Administração da Camama e à reitoria do Campus Universitário, da Universidade Agostinho Neto (UAN), para obter esclarecimento sobre alegado envolvimento de entidades públicas na expropriação de terrenos, mas nenhuma resposta foi obtida.
Na Administração da Camama, o director do Gabinete de Comunicação Social alegou que o administrador-adjunto para área técnica – único que pode falar sobre o “caso Konda Marta”, não se encontrava na instituição, pois estaria a cumprir uma missão fora do seu gabinete.
A mesma “indisponibilidade” foi manifestada pelo reitor do Campus Universitário, Pedro Magalhães, que mesmo estando no seu gabinete, “não aceitou prestar declarações à imprensa, tendo argumentado por meio do seu emissário, Sérgio Beia, director do gabinete do reitor, que o posicionamento da reitoria já foi expresso em “nota de esclarecimento” enviado e publicado pelo Club-K.
Falando em conferência de o Presidente do Conselho de Administração da empresa Konda Marta, Daniel Afonso Neto reiterou que muitos terrenos que foram destinados à construção de infraestruturas universitárias estão a ser utilizados alegadamente pelo reitor do Campus Universitário, Pedro Magalhãe, para fins privados, nomeadamente a construção de propriedades destinadas à comercialização. “É uma vergonha que o reitor esteja a usar a Universidade para enriquecer-se às custas dos estudantes e da população”, acusou.
Segundo Daniel Neto, os terrenos localizados no perímetro do Campus Universitário, no município da Camama, em Luanda, estariam a ser ocupados com o aval de Pedro Magalhães. Aquele responsável refere ainda que há direitos de superfície atribuídos com base em áreas que teriam sido desanexadas da Universidade Agostinho Neto (UAN), levantando dúvidas sobre a legalidade desses procedimentos.

Venda de imóveis
De acordo com dados apurados por este portal, algumas construções apresentadas como pertencentes ao Campus Universitário seriam, na realidade, de interesse pessoal do reitor do Pedro Magalhães. Há também alegações de que o mesmo reitor “está a erguer um condomínio para posterior venda de habitações, com preços estimados em cerca de 50 milhões de kwanzas por moradia”.
O PCA Daniel Neto criticou ainda a situação, comparando-a com casos de ocupação ilegal por cidadãos comuns: “Quando é um munícipe de baixa renda que invade terrenos, fico preocupado porque somos todos pobres. Mas quando é uma entidade com responsabilidade pública, a situação é ainda mais grave.”
Durante a denúncia, camponeses ligados à empresa Konda Marta manifestaram o seu descontentamento, tal como sublinhou o director de comunicação e marketing da empresa José Eduardo, que segundo ele, “o reitor já teria sido notificado pelo IGAE, mas negou possuir terrenos de interesse pessoal”. José Eduardo denunciou que “as obras estão a ser realizadas em nome da universidade, mas com fins comerciais”.
O caso levanta sérias questões sobre a gestão de terrenos públicos e o papel das instituições académicas, aguardando-se agora um posicionamento oficial das autoridades competentes.

