Bié: Ministério da Cultura promete intervir para terminar a luta pelo poder tradicional entre etnia songo e tchokwé na Lúbia

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O Ministério da Cultura (MINICULT), por meio da sua Direcção Nacional para as Comunidades Institucional e Poder Tradicional, promete criar uma Comissão Multissectorial para pôr fim ao conflito de exercício do poder tradicional, que já dura há décadas, entre as tribos Songos e Tchokwés, no município da Lúbia, província do Bié.

A informação foi tornada pública depois de uma reunião, que aconteceu na quinta-feira, 11 de Junho, nas instalações do Ministério da Cultura, em Luanda, entre os sobas da etnia Songo e membros da Direcção Nacional para as Comunidades Institucional e Poder Tradicional do MINICULT.

Importa referir que, o conflito entre os grupos étnicos Songos e Tchokwes na Lúbia, uma zona rica em diamantes, tem sido alimentado pela divergência sobre quem tem a legitimidade de exercer o poder tradicional na Lúbia.

Os Songos dizem ser eles os legítimos donos da terra, e que os Tchokwes são visitantes acolhidos no passado, mas que agora, por alegadamente se enraizarem, reivindicam o direito de exercer o poder tradicional.

Portanto, de acordo com os relatos, o conflito tem sido intenso, pelo que, em diferentes segmentos, teme-se que se degenere para situações mais complexas, dado que já tem havido agressões e ameaças de morte.

Por exemplo, o administrador municipal da Lúbia, Alfredo Capitango, tem sido acusado não só de uma actuação parcial alegadamente a favor dos Tchokwes, bem como de ser o rosto do caos contra os Songos. E, por conta disso, chegou a ser alvo de um abaixo assinado com mais de 4 mil subscritores que pediram a sua exoneração.

Entretanto, a governadora o manteve no cargo, mas as queixas sobre suas supostas acções parciais já foram encaminhadas para o Comité Central do MPLA, o partido que sustenta o Governo.

À margem do encontro, segundo o portal “Falantenews”, o director Nacional para as Comunidades e Institucional e do Poder Tradicional do Ministério da Cultura, Albano Kufuna, considerou ter sido de extrema importância a realização do encontro com as autoridades tradicionais da Lúbia, Bié, pelo facto de a reunião ter permitido não só discutir e analisar, mas também ter uma percepção mais ampla do conflito.

“Inicialmente, devo agradecer a comitiva tradicional a que devo respeito e consideração pela presença aqui no Ministério da Cultura, a casa de resolução de conflitos tradicionais, e também salientar que foi muito importante a realização deste encontro à medida em que a intensidade de conflitos de etnia e de tribo sobre o poder tradicional, continua a ser devastador e tira o sono às comunidades”, disse.

O governante sublinhou ser “desnecessário que, volvidos várias décadas do fim da guerra entre filhos da mesma pátria, se viva novamente um clima de intenso conflitos de etnia”, tendo recordado ser tarefa do departamento ministerial de que a parte, a unidade das entidades tradicionais.

O responsável fez saber que, nos próximos dias, será criada uma Comissão Multissectorial a propósito, que deverá deslocar-se à Lúbia, visando a resolução do conflito.

Por seu turno, o advogado e consultor jurídico junto das autoridades tradicionais Songo, Serrote Simão considerou de produtiva a audiência com os quadros do Ministério da Cultura, e disse esperar que as autoridades sejam mais ágeis e justas no tratamento, respeito e valorização de quem detém o poder tradicional naquela parcela do país.

Serrote Simão entende que o conflito étnico tem gerado acções de violência e insegurança junto das comunidades da Lúbia, um município potencialmente rico em diamantes e que conta com uma população estimada em mais de oito mil habitantes.

Falantenews

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