Cabiri: Administradora Isabel Kudiqueba acusada de favorecer terceiros em disputa de parcela de terra

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Um cidadão identificado como Pedro Viegas acusa a Administração Municipal do Cabiri, província do Icolo e Bengo, de estar a favorecer terceiros numa disputa pela posse de um terreno com quatro hectares, localizado na zona do quilómetro 44.

Em denúncia aos órgãos de comunicação social, Pedro Viegas denunciou que, recentemente, uma operação que contou com a presença de efectivos policiais, fiscais e máquinas terá procedido à demolição de um muro que delimita o espaço.

Pedro Viegas, que reclama pela titularidade do terreno, afirmou que a administradora municipal, Isabel Nicolau Kudiqueba tem demonstrado interesse pelo terreno e que tem comparecido frequentemente no local acompanhada por dois cidadãos que supostamente se apresentam como proprietários do imóvel.

“Sei que por trás há um cabritismo da administradora Isabel e do administrador para a área técnica”, afirmou, acusando a administração de criar obstáculos à implementação do seu projecto.

O cidadão garante possuir documentação relativa ao terreno, incluindo documentos assinados pelo governador provincial do Icolo e Bengo, Auzílio Jacob, e diz ter previsto para o espaço a construção de um centro logístico.

“Eu tenho um projecto para fazer aqui um centro logístico. Era mais emprego para os angolanos e seria uma solução para a gente resolver o problema do país”, afirmou.

Viegas acrescenta que o projecto poderia gerar postos de trabalho para jovens do Icolo e Bengo e de outras regiões, lamentando os entraves que, segundo ele, têm impedido a sua execução.

O cidadão afirma ainda que a disputa já está sob conhecimento do Serviço de Investigação Criminal (SIC), que, segundo ele, está a trabalhar para apurar a autenticidade dos documentos apresentados pelas partes e determinar quem tem legitimidade sobre o terreno. “O SIC está a trabalhar no caso para rever a verdade”, declarou.

Administradora do Cabiri nega acusações

Reagindo às acusações, a administradora municipal do Cabiri, Isabel Nicolau Kudiqueba rejeitou os argumentos do cidadão Pedro Viegas e apresentou uma versão diferente dos factos.

Sem gravar entrevista, a responsável apontou Pedro Viegas de ser um invasor e afirmou que os documentos apresentados pelo cidadão terão sido falsificados, incluindo uma suposta assinatura. “Estou cansada. Sobre o caso do Viegas, já não quero mais falar. Ele é um invasor”, afirmou a administradora, acrescentando que “ele falsificou os documentos”.

A Administração Municipal admite, entretanto, que existem três pessoas que se apresentam como proprietárias do terreno, estando a situação na origem do conflito.

Durante o encontro com jornalistas, que procuravam obter o contraditório, a administradora esteve acompanhada pelo Superintendente-Chefe Madaleno dos Santos e pelo director do Gabinete Jurídico da Administração Municipal do Cabiri.

A deslocação da equipa de jornalistas ao local para ouvir a versão da administração ficou também marcada por um incidente.

À chegada dos jornalistas, um cidadão que se apresentou como funcionário da Administração Municipal, supostamente colocado no gabinete de Comunicação Social, terá agredido fisicamente o director do portal Elite Post, Romão de Jesus, com um soco na região do abdômen.

Já no gabinete da administradora, o superintendente-chefe Madaleno dos Santos, 2º comandante do Cabiri, terá determinado que os jornalistas entrassem para a reunião sem os respectivos equipamentos de trabalho, nomeadamente telefones, blocos de notas e câmaras, tendo também exigido a apresentação das carteiras profissionais.

O episódio levantou igualmente questionamentos entre os jornalistas sobre a presença frequente de um oficial superior da Polícia Nacional na Administração Municipal, numa altura em que a sua principal missão institucional passa pela coordenação dos efectivos policiais na esquadra.

Com três cidadãos a reivindicarem a titularidade do mesmo terreno, o conflito permanece sem uma solução definitiva.

De um lado, Pedro Viegas sustenta que possui documentação que comprova os seus direitos sobre os quatro hectares e acusa a administração de favorecer os outros interessados. Do outro, a Administração Municipal do Cabiri considera-o invasor e questiona a autenticidade dos documentos por si apresentados.

CK

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