Jornalista José Gama ouvido pela PGR em processo de “injúria” que envolve duas Juízas do Tribunal Supremo
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) ouviu na manhã desta terça-feira, 15 de Setembro, o jornalista angolano, José Gama, fundador do portal de notícias “Club-K”, na qualidade de testemunha, no âmbito de um processo que envolve duas Juízas do Tribunal Supremo, que corre trâmites na justiça.
Em causa está um processo tendo como arguida a Veneranda Juíza do Tribunal Supremo (TS), Anabela Couto Valente, acusada de injúrias, após ter alegadamente chamado duas colegas de “rosqueira” e “meretrizes”, segundo fontes do Club-K.
A queixa-crime foi movida pela Juíza Joaquina Nascimento em Abril de 2025, contra a sua colega, e segundo o advogado Osvaldo Salupula, que defende José Gama, o jornalista foi ouvido na sequência de uma matéria divulgada através de um canal de comunicação, cujo conteúdo não revelado, terá suscitado esclarecimentos por parte do Ministério Público.
Em declarações à imprensa, à saída da Procuradoria-Geral da República (PGR), o advogado do jornalista, Osvaldo Salupula, esclareceu que o seu constituinte foi chamado na qualidade de testemunha e não de arguido, sublinhando que não existe qualquer processo criminal contra José Gama no âmbito deste caso.
Segundo o causídico, o jornalista foi ouvido na sequência de uma matéria divulgada através de um canal de comunicação, cujo conteúdo não aceitou revelar por alegado “segredo de justiça” no quadro do processo que ainda decorre.
“O que fica claro é que houve, provavelmente, um excesso no conteúdo desta matéria, que nada tem a ver com o meu cliente”, afirmou Osvaldo Salupula na porta da PGR.
O advogado reiterou ainda a disponibilidade da defesa para continuar a colaborar com as autoridades judiciais, “sempre que houver uma notificação formal nesse sentido”.
José Gama afirma estar “tranquilo” e “sem receio nenhum”
O jornalista de investigação e responsável do Club-K, considerado dos portais de maior credibilidade em Angola, foi interrogado pelo Procurador Dionísio de Jesus – Magistrado do Ministério Público, que procurou saber sobre a autoria de comentário, que sido feito numa publicação por cidadão não identificado, mas que supostamente aparece com iniciais do seu nome com um comentário alegadamente ofensivo.
Antes da audição e enquanto se preparava para subir os degraus do edifício da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Luanda, José Gama afirmou aos órgãos de comunicação social, que aguardavam pelo momento – que compareceu perante a PGR -com tranquilidade, por entender que a sua presença se devia exclusivamente à necessidade de prestar esclarecimentos enquanto testemunha arrolado no processo.
“Estamos na nossa terra, sem receio algum. Estamos indo apenas como testemunha. Serão apenas depoimentos e esclarecimentos de algumas situações sobre o processo que envolve as juízas”, declarou.
Questionado sobre a sua confiança na Justiça angolana, o jornalista defendeu que as instituições judiciais devem merecer a confiança dos cidadãos, mas considerou que ainda existem desafios que precisam ser ultrapassados.
“A Justiça angolana é uma entidade em que todos nós devíamos confiar. Porém, em alguns casos, infelizmente, ela tem sido controlada pelo poder político. A Justiça angolana precisa rever muitas coisas que não estão bem, para merecer a confiança dos cidadãos”, afirmou.
A audição de José Gama ocorre, assim, no quadro de um processo que envolve duas Juízas do Tribunal Supremo (Anabela Valente, arguida) e (Joaquina Nascimento, queixosa), não tendo sido indicada, até ao momento, qualquer acusação contra o jornalista no âmbito do referido processo.

