CEAST apela à paz, reconciliação e criação de mecanismos para prevenir novos conflitos em Angola

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Luanda, 31 de agosto de 2026 — A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) manifestou profunda preocupação com os recentes episódios de conflito, intolerância e violência registados no Uíge, Cazombo e outras localidades do país, alertando para as consequências humanas, sociais e espirituais desses acontecimentos.

Numa nota pastoral intitulada “A Justiça Semeia-se na Paz, pelos Obreiros da Paz”, os bispos católicos afirmam que, apesar de Angola ter vindo a progredir na construção da convivência nacional, os recentes acontecimentos demonstram que ainda persistem tensões capazes de provocar ferimentos graves, sofrimento humano e fraturas no tecido social.

A CEAST considera urgente identificar e enfrentar as causas desses conflitos para impedir que se repitam. Os bispos expressam solidariedade com todas as pessoas afetadas e defendem uma resposta assente não apenas em medidas repressivas ou legais, mas também em justiça restaurativa, reconciliação e reconstrução das relações sociais.

Segundo a nota, a justiça restaurativa deve procurar ir além da simples responsabilização, contribuindo para reparar os danos causados, restaurar direitos e criar condições para que situações semelhantes não voltem a ocorrer.

Um dos apelos mais relevantes da CEAST dirige-se aos partidos políticos, em particular ao MPLA e à UNITA, para que criem mecanismos rápidos e funcionais de resolução de conflitos ao nível das capitais provinciais, municípios e comunas. O objetivo, segundo os bispos, é prevenir escaladas de tensão e encontrar soluções antes que divergências políticas ou comunitárias evoluam para confrontos violentos.

Um alerta num momento político sensível

A intervenção da CEAST surge num contexto de crescente preocupação com o ambiente político e social em Angola, sobretudo à medida que o país se aproxima das eleições gerais de 2027.

Os acontecimentos recentes no Uíge e no Cazombo têm levantado questões sobre intolerância política, capacidade de mediação das instituições, atuação das forças de segurança e necessidade de mecanismos eficazes de prevenção de conflitos.

A mensagem dos bispos assume, por isso, uma relevância que vai além do plano religioso. Trata-se também de um apelo à responsabilidade política e institucional.

Num país cuja história recente foi profundamente marcada por conflito armado e violência política, a prevenção de novos episódios de confrontação exige que os diferentes atores políticos reconheçam que a competição democrática deve ser conduzida através do diálogo, das instituições e do respeito pelos direitos fundamentais.

A paz exige mais do que ausência de violência

A nota pastoral da CEAST transmite igualmente uma mensagem central: a paz não pode ser entendida apenas como ausência de confrontos.

Uma paz duradoura exige justiça, respeito mútuo, capacidade de diálogo e instituições capazes de resolver disputas sem recurso à violência.

Ao recomendar mecanismos permanentes de resolução de conflitos entre partidos e comunidades, a CEAST chama atenção para uma questão estrutural: muitas tensões poderiam ser prevenidas se existissem canais locais eficazes de comunicação e mediação antes da intervenção das forças de segurança ou da escalada dos confrontos.

O desafio para Angola

O apelo da CEAST coloca uma responsabilidade particular sobre os dirigentes políticos, as instituições do Estado, os partidos e a sociedade civil.

À medida que Angola se aproxima de um novo ciclo eleitoral, será fundamental garantir que divergências políticas não se transformem em violência, que as instituições atuem com imparcialidade e que os cidadãos possam exercer os seus direitos políticos sem medo ou intimidação.

A mensagem dos bispos é clara: a construção da paz exige reconciliação, justiça e compromisso de todos.

Depois de décadas marcadas por conflito, Angola não pode permitir que a intolerância política volte a transformar diferenças em violência.

A prevenção começa agora — através do diálogo, da responsabilização, da justiça e da criação de mecanismos que permitam resolver os conflitos antes que estes se transformem em tragédias.

 

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