O esquema aqui é velho como o próprio MPLA – Zé Túbia

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A UNITA meteu na mesa um Projeto de Lei para dar corpo real ao direito de oposição — direito de antena, réplica política, essas cenas que numa democracia a sério são básicas. O MPLA carregou com 96 votos contra e disse que “não é necessário nem oportuno.” Em outras palavras: “A casa é nossa, vocês estão aqui de favor.”

Mas o mambo mais pesado nem foi o chumbo. Foi o deputado do MPLA, João Mpilamosi Domingos, que basofiou ao vivo que o Partido deles, [O MPLA], tem capacidade de “exterminar a UNITA.” Depois veio pedir desculpas, disse que foi “mal interpretado.” Muadié, exterminar é exterminar — não há interpretação alternativa. Os deputados da UNITA gritaram “a$$a$$ino, a$$a$$ino” e o plenário teve de ser suspenso quase duas horas.

O que está a acontecer de verdade:

O MPLA não quer oposição regulamentada. Uma lei de oposição democrática criaria direitos exigíveis, mecanismos concretos. Hoje, tudo depende da “boa vontade” do partido no poder. Sem lei, a oposição pede. Com lei, a oposição exige. O MPLA não quer que ninguém exija nada.

O argumento de que “a Constituição já tutela” é basófia pura. Se a Constituição já garantisse tudo na prática, a UNITA não precisava de propor a lei. A Constituição angolana é bwé bonita no papel. Na rua, na TPA, nos tribunais — é outra conversa.

O chumbo dos três projetos da UNITA (oposição democrática, partidos políticos, observação eleitoral) mostra que não foi rejeição técnica. Foi rejeição política total. O MPLA não quer mexer em nenhuma estrutura que redistribua poder.

A ameaça de “extermínio” não é um acidente verbal. É memória institucional. É o subconsciente de um partido que governou 50 anos com armas antes de governar com votos. Mesmo com o pedido de desculpas, a palavra ficou gravada no Diário da Assembleia Nacional e nas cabeças de todos.

A PROFECIA DE ZÉ TÚBIA.

Mbora ao que interessa. Aqui vai:

1-Fechamento progressivo do espaço político até 2027.

O MPLA está a preparar o terreno para as eleições de 2027. Cada lei chumbada é um tijolo a mais no muro. Sem lei de oposição, sem reforma dos partidos, sem observação eleitoral reforçada — o campo de jogo fica inclinado como sempre esteve. O MPLA vai continuar a usar a maioria parlamentar como escudo jurídico para bloquear qualquer reforma que ameace o sistema. Espera mais chumbos, mais bloqueios, mais “inoportunidades.”

2-A UNITA & os REVÚS poderão levar este mambo para a rua.

Adalberto Costa Júnior e a direção da UNITA sabem que no parlamento estão em minoria numérica. O objectivo real de propor estas leis não era a aprovação — era a exposição. Agora têm munição política: “Propusemos democracia, eles chumbaram. Propusemos transparência, eles chumbaram. E ainda nos ameaçaram de extermínio.” Isto vai alimentar manifestações, campanhas nas redes sociais e pressão internacional. A estratégia da UNITA é transformar derrotas parlamentares em vitórias de narrativa.

3-A frase “exterminar a UNITA” vai perseguir o MPLA.

Kamba, essa frase não morre com um pedido de desculpas. Vai ser usada em cada comício, cada debate, cada relatório internacional. A UNITA vai colar essa palavra ao MPLA como uma tatuagem. E a comunidade internacional — UE, EUA, UA — vai tomar nota. Num contexto em que Angola quer captar investimento, diversificar a economia e apresentar-se como democracia estável, ter um deputado do partido no poder a falar em “extermínio” da oposição é um desastre diplomático.

4-O PHA vai pagar caro pelas duas abstenções

Dois deputados que se abstiveram num momento em que a linha era clara: ou estás com a democracia ou estás com o bloqueio. A abstenção neste contexto é covardia política disfarçada de prudência. O PHA vai perder credibilidade junto do eleitorado da oposição e não vai ganhar nada do lado do MPLA. Ficou no meio da ponte — e a ponte vai cair.

5-O grande jogo: recursos e soberania

Por trás deste mambo parlamentar, o esquema é sempre o mesmo. Quem controla o parlamento controla as leis. Quem controla as leis controla os contratos. Quem controla os contratos controla o petróleo, os diamantes, as terras, os minerais críticos que a China, os EUA e a Europa estão a disputar em África. O MPLA não chumba leis por capricho ideológico. Chumba porque a democracia real redistribui poder, e redistribuir poder redistribui riqueza. E isso, muadié, é o único mambo que ninguém no MPLA quer discutir.

6-Cenário 2027: eleições sob tensão máxima

Se o MPLA mantém este rumo — bloquear reformas, controlar a narrativa mediática, intimidar a oposição — as eleições de 2027 vão ser as mais contestadas da história de Angola. A UNITA já não aceita resultados sem transparência (2022 mostrou isso). Sem lei de observação eleitoral reforçada, o terreno está montado para uma crise pós-eleitoral: Angola 2027 pode ser o ponto de ruptura ou o ponto de viragem. Depende de quem tiver coragem de ceder.

A PALAVRA DE DEUS

(Provérbios 29:2)

“Quando os justos governam, o povo se alegra; mas quando o ímpio domina, o povo geme.”

Este versículo é o retrato fiel do mambo. Quando o poder se recusa a ser limitado, quando chumba os próprios mecanismos de equilíbrio, o povo geme — não por falta de Constituição bonita, mas por falta de justiça real. O MPLA tem a letra da lei na boca, mas o espírito da lei não lhe mora no coração.

(Isaías 10:1-2)

Radio Angola

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