Jornalista Ilídio Manuel ouvido pelo SIC como queixoso e sai constituído arguido em processo distinto

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O jornalista angolano Ilídio Manuel afirmou ter sido surpreendido, esta quarta-feira, ao ser constituído arguido pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), em Luanda, no decurso de uma audição em que compareceu inicialmente na qualidade de queixoso.

Segundo relato do próprio, Ilídio Manuel deslocou-se às instalações do SIC para prestar declarações no âmbito de uma queixa-crime apresentada há cerca de um mês contra os comentaristas da TV Zimbo, Bali Chionga e Lindo Bernardo Tito, por alegada calúnia e difamação.

Durante o interrogatório, o jornalista diz ter sido abordado por um investigador identificado como Edvaldo Oliveira, que não estaria ligado ao processo em causa, e que o informou de que o SIC o procurava há cerca de quatro anos, sem sucesso. De acordo com o investigador, teriam sido feitos contactos com o então secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas de Angola, Teixeira Cândido, e com a presidente da Comissão da Carteira e Ética (CCE), Luísa Rogério, sem sucesso.

No entanto, Ilídio Manuel contesta esta versão, afirmando que Teixeira Cândido lhe garantiu nunca ter sido contactado pelo SIC, o mesmo sucedendo, segundo o jornalista, com a responsável da CCE.

O jornalista considera “estranho” que o assunto tenha sido levantado no âmbito de um processo em que é parte ofendida, questionando se tal procedimento visa “esvaziar o conteúdo” da sua queixa ou inverter a sua posição processual.

Notificação contestada

Ilídio Manuel afirma ainda ter sido alegadamente notificado verbalmente em 22 de setembro de 2022, tendo solicitado, na altura, uma notificação formal por escrito. Diz ter recebido posteriormente um documento, o que o levou a constituir advogado, mas garante que o seu mandatário nunca foi formalmente notificado pelas autoridades.

O jornalista sustenta que, ao longo dos últimos quatro anos, nunca recebeu qualquer comunicação adicional — verbal ou escrita — por parte do SIC, sublinhando que manteve o mesmo número de telefone, residência e presença pública regular em órgãos de comunicação social e redes sociais.

Acrescenta ainda que solicitou provas das alegadas notificações, mas que estas não lhe foram apresentadas.

Nova audição agendada

Ilídio Manuel foi convocado para regressar ao SIC na próxima segunda-feira, 30 de março, para dar continuidade ao processo, embora afirme desconhecer a identidade do acusador e a natureza das acusações que recaem sobre si. O jornalista admite que o caso possa estar relacionado com a sua passagem pela publicação “Camunda News”, que, segundo refere, já motivou a audição de outras figuras, como o activista Gangsta e o director David Boio.

Perante o sucedido, o jornalista manifesta preocupação com a possibilidade de vir a ser alvo de medidas mais gravosas, como um eventual mandado de captura, mas assegura que continuará a exercer a sua actividade profissional.

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