Surto de Cólera em Angola: Situação Atual e Resposta
Por Radio Angola
Angola está atualmente enfrentando um surto significativo de cólera, que começou em janeiro de 2025. De acordo com a Reuters, até 13 de março, o surto resultou em 6.564 casos reportados e 237 mortes.
Disseminação Geográfica e Populações Afetadas
O surto, iniciado em 7 de janeiro de 2025, espalhou-se rapidamente por várias províncias. A província de Luanda continua sendo o epicentro, com 3.477 infecções relatadas, representando mais da metade dos casos totais. Outras províncias afetadas incluem Bengo, Icolo e Bengo, Huambo, Malanje, Zaire e Huíla. Crianças menores de cinco anos representam 15,4% dos casos e 15,0% das mortes, evidenciando a vulnerabilidade desse grupo etário.
O surto também se estendeu a países vizinhos. A Namíbia, que estava livre da cólera há uma década, relatou seu primeiro caso — uma mulher de 55 anos na região de Kunene, na fronteira com Angola. Embora ela tenha se recuperado e não tenha viajado recentemente para fora da Namíbia, as autoridades de saúde estão em alerta máximo devido à proximidade com as áreas afetadas de Angola.
O Que é a Cólera?
A cólera é uma doença diarreica aguda causada pela ingestão de alimentos ou água contaminados com a bactéria Vibrio cholerae. Pode levar à desidratação severa e à morte se não for tratada, mas é evitável por meio do acesso à água potável, saneamento adequado e vacinação. Crianças menores de cinco anos são particularmente vulneráveis.
Contexto Histórico e Comparação
Para contextualizar a gravidade da situação, o último grande surto de cólera em Angola ocorreu entre 2016 e 2017, resultando em 252 casos e 11 mortes. Os números atuais representam um aumento drástico, destacando a crescente crise de saúde pública, segundo a ReliefWeb.
Fatores Contribuintes
Vários fatores têm contribuído para a rápida disseminação e alta taxa de mortalidade do surto atual:
- Saneamento precário e acesso limitado à água potável: A infraestrutura inadequada de saneamento e o acesso limitado à água limpa têm agravado a propagação da cólera.
- Chuvas intensas e inundações: O auge da estação chuvosa intensificou a contaminação da água, facilitando a transmissão da cólera.
- Sistema de saúde sobrecarregado: O surto colocou o sistema de saúde angolano sob grande pressão, destacando a necessidade de uma maior capacidade de resposta.
Medidas de Resposta
Em resposta à crise, o governo angolano, em colaboração com organizações internacionais, implementou várias medidas, mas o surto continua a se espalhar por diversas províncias:
- Campanhas de vacinação: Estão sendo feitos esforços para adquirir e administrar vacinas orais contra a cólera para populações de risco.
- Engajamento comunitário e educação: Agentes comunitários de saúde estão disseminando informações sobre a prevenção da cólera e promovendo práticas de higiene.
- Aprimoramento da gestão de dados: Mais de 20 profissionais foram treinados para melhorar o mapeamento de casos e a vigilância, facilitando uma resposta mais eficaz.
Desafios e o Caminho a Seguir
Apesar dessas iniciativas, desafios significativos persistem:
- Escassez de recursos: Há uma necessidade urgente de mais vacinas, suprimentos médicos e financiamento para manter e expandir as atividades de resposta.
- Risco de propagação regional: A proximidade do surto com países vizinhos aumenta o risco de transmissão transfronteiriça, como evidenciado pelo caso na Namíbia.
- Falta de vacinas no mundo: O aumento dos casos de cólera globalmente levou ao esgotamento dos estoques mundiais de vacinas, dificultando os esforços de contenção.
Em resposta, o Centro Africano para Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) forneceu a Angola 2.000 vacinas orais contra a cólera para proteger os profissionais de saúde. No entanto, mais recursos são necessários para expandir os esforços de vacinação e conter o surto de forma eficaz.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) relatou uma queda de 12% nos casos de cólera em toda a África em 2024 em comparação com o ano anterior, embora as mortes tenham aumentado ligeiramente em 3,1%. Apesar dessa queda geral, a situação atual em Angola destaca os desafios persistentes no combate aos surtos de cólera na região.
Os esforços para controlar o surto em Angola incluem a melhoria da infraestrutura de água e saneamento, campanhas de educação em saúde pública e a ampliação dos programas de vacinação. O apoio contínuo de organizações internacionais de saúde e dos países vizinhos será fundamental para mitigar o impacto da doença e evitar sua disseminação.