PCA da Konda Marta apela sociedade civil e partidos políticos apoio às famílias abandonadas pela Administração da Camama
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O Presidente do Conselho da Administração (PCA) da empresa Konda Marta, Daniel Afonso Neto, apelou neste domingo, 18, em conferência, os membros da sociedade civil, partidos políticos e deputados à Assembleia Nacional, a apoiarem às famílias vulneráveis, supostamente abandonadas pela Administração Municipal da Camama, após serem retiradas da zona em que residiam em 2025.
Durante o encontro com os órgãos de comunicação social, as camponesas e trabalhadores da Konda Marta voltaram a acusar os gestores da Camama de terem sido desalojamentos sem o mínimo de condições humanas e apontam igualmente o uso abusivo dos efectivos da Polícia Nacional e alegada perseguição política contra os militantes do MPLA do Comité de Acção Partido (CAP 583) instalado no local nas proximidades do Campus Universitário.
Segundo as vítimas, cujas casas de chapadas construídas pela Konda Marta foram destruídas recentemente por fiscais e polícia da Camama, que acusam igualmente a administradora Claudineth Fragoso de Almeida, de “priorizar a gestão de terrenos em detrimento da população, promovendo despejos forçados, destruição de habitações e uso excessivo da força policial”.
Na ocasião, o PCA da empresa Konda Marta, Daniel Afonso Neto afirmou que os principais entraves à governação do país não vêm da oposição, mas de quadros internos do próprio MPLA. “Os verdadeiros adversários do Presidente da República, João Lourenço, não são a UNITA, o PRS ou o PRA-JA, mas sim alguns militantes do MPLA, primeiros secretários municipais e comunais. São esses que estão a combater o Presidente e a manchar a sua imagem”, declarou.
Na visão de Daniel Neto, a Administração da Camama deixou de cumprir o seu papel social. “A administração não está aqui para administrar a população. Está aqui para administrar terrenos, invadir espaços e expulsar cidadãos”, disse.
O responsável das camponesas e demais famílias vulneráveis sublinhou que a empresa apoiou as camponesas com a instalação de um posto médico improvisado e uma escola de explicação para crianças, mas que, mesmo assim, as autoridades municipais promoveram novas demolições.
“A justiça no nosso país não serve para proteger o cidadão nem a liberdade de expressão. Serve para manter o sistema e assegurar o poder. Quando alguém diz a verdade, passa automaticamente a ser acusado de ser da UNITA”, acrescentou.

João Francisco Diogo, 1º secretário do CAP nº 583 e coordenador do “Bairro TC Neto”, relatou que as famílias foram inicialmente desalojadas do Parque das Acácias, sob a alegação de serem “invasores políticos”. “Disseram-nos que, se enchêssemos dois autocarros de militantes, teríamos garantia de permanência. Cumprimos, mas depois vieram demolir tudo.”
Após o despejo, as famílias passaram um mês no Triângulo (Bagdá) e, posteriormente, foram levadas pela própria Administração da Camama para o Campus Universitário, sem autorização da instituição. “Quando a universidade questionou a nossa presença, explicamos que foi a administração que nos colocou ali. Tentámos esclarecer a situação junto da administração, mas não fomos recebidos.”
Sem alternativas, as camponesas receberam apoio da empresa Konda Marta, que doou chapas, ripas e pregos para a reconstrução das cabanas. No entanto, na semana passada, fiscais municipais, acompanhados pela polícia, voltaram a demolir as estruturas sem apresentar qualquer documento legal. “O mais grave é que um fiscal, conhecido por João Baby, chegou a ameaçar-nos de morte caso reagíssemos”, denunciou.

Os denunciantes afirmam que, desde que passaram a receber apoio da Konda Marta, começaram a ser rotulados como militantes da UNITA. “Somos militantes do MPLA. Não estamos a falar mal do partido. Pelo contrário, estas ações é que estão a manchar o nome do MPLA”, afirmou João Francisco Diogo.
O dirigente comunitário deixou ainda uma mensagem direta ao Presidente da República: “O partido criou-me, nasci no MPLA e vou morrer no MPLA. Ninguém pode separar-me dele. Peço apenas que se olhe para o sofrimento do povo.”
A camponesa Mimosa Alfredo Camongo lamentou o que considera uma inversão das funções do Estado. “Não sabemos se a Administração da Camama veio para administrar pessoas ou terrenos. A polícia deveria combater o crime, mas aqui virou polícia dos terrenos”.
Segundo Mimosa, as mesmas autoridades que despejaram as famílias no Campus Universitário foram as que posteriormente demoliram as cabanas, deixando mulheres e crianças ao relento.
“Isso é desumano. Quando denunciamos o comandante Mingas, ele reage com fúria. Recentemente esteve no espaço da Konda Marta às 17 horas, horário em que deveria estar na unidade a planificar o trabalho policial, e não a supervisionar terrenos”.

