GLOBAL SEGUROS: Entre a regulação e o poder: Denúncias de interferência política no sector segurador

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Denúncias apontam para alegada instrumentalização de órgãos reguladores com o objectivo de retirar licença a uma seguradora e abrir espaço para nova operadora ligada a interesses políticos. Mais uma vez estamos diante do domínio do poder político em Angola ao serviço de interesses pessoais para demonstração de força política que em nada serve aos interesses nacionais ou do povo angolano. Volta a levantar-se em Angola um debate sensível sobre a independência das instituições públicas e o uso do poder político.

O que aparenta ser uma decisão emanada por irregularidades técnicas pelo despacho nº 028/ARSEG/26 de 20 de Fevereiro de 2026 por um órgão regulador supostamente autónomo pode, segundo fontes próximas do processo, configurar um movimento político cuidadosamente orquestrado.

A revogação da licença da Global Seguros surge num contexto marcado por tensões entre acionistas e alegadas interferências políticas de alto nível por entender que um dos grupos acionistas estaria ligado ao General Higino Carneiro, levantando dúvidas sobre a real motivação das medidas adotadas.

O passado societário e as doações controversas

Em 2017, o Presidente da República e a Primeira-Dama integravam a estrutura acionista da Global Seguros, S.A.

Já em 2025, o casal presidencial procedeu à doação das suas quotas à sociedade, sem contrapartida financeira ou venda formal a terceiros. A decisão gerou questionamentos no meio empresarial, sobretudo quanto às suas implicações estratégicas e ao futuro da seguradora.

Após divergências com outros acionistas, e segundo relatos de bastidores, a empresa teria passado a integrar um conjunto de entidades consideradas “indesejáveis” dentro de uma suposta agenda de reconfiguração do setor por parte de quem chefia o executivo. À data, a estrutura acionista da seguradora era composta maioritariamente por entidades privadas, com destaque para:

  • Grupo Lidess – Hotelaria e Turismo, Lda. (56,39%)
  • Grupo Equity – Investimentos e Participações, Lda. (29,32%)
  • Orlando Rodrigues Maiato Carneiro (5,86%)
  • Outros acionistas minoritários (cerca de 4%)

Alegadas reuniões e plano de revogação

Fontes internas dos corredores do palácio presidencial, relatam que terão ocorrido encontros estratégicos envolvendo figuras influentes do círculo presidencial, como Carlos Feijó e Silvestre Tulumba Kapose com o objectivo de delinear um plano para a revogação da licença da seguradora, como estratégia ou um plano de asfixiar qualquer pretensão do General Higino Carneiro de concorrer às eleições ou fazendo com que o mesmo desista como meio de chantagem por alegada interpretação de que exista uma possível ligação societária de um dos grupos ligados ao General Higino Carneiro.

De acordo com as denúncias, a Presidente do Conselho de Administração da entidade reguladora do setor segurador também presidiu algumas destas reuniões, Filomena Airosa Manjata, teria sido orientada de forma clara a conduzir um processo técnico que culminou na retirada da licença, com fundamento em alegadas irregularidades técnicas e de reestruturação que não foram cumpridas pela seguradora.

Quando tudo não passou de uma peça teatral previamente ensaiada no palácio presidencial. O que desde logo, levanta sérias preocupações quanto à independência e continuidade futura da ARSEG enquanto entidade reguladora independente e da segurança jurídica no ambiente de negócios que se vive em Angola.

O surgimento de uma nova seguradora

Ao mesmo tempo que é incumbida a tarefa a PCA da ARSEG de revogar a licença da Global Seguros, o presidente João Lourenço orientou que a mesma Filomena Manjata colaborasse de imediato na concessão de uma licença para uma NOVA SEGURADORA do seu interesse pessoal, projecto este que já está em curso desde o início do ano de 2025, no qual tem sido elaborado pela área de projecto da consultora internacional delloite que tem mantido encontros frequentes sobre o estado de desenvolvimento e implementação com  o empresário Silvestre Tulumba

Kapose, através do Banco BSC que aparece como um dos acionistas fortes da nova seguradora. O Banco está manchado por dívidas e processos de irregularidades pelo sector de supervisão do Banco Nacional De Angola.

Onde entra o menino de ouro do Palácio Presidencial

Mais uma vez o empresário Silvestre Tulumba Kapose actua como um PLAYER dos negócios e interesses pessoais do presidente João Lourenço, sendo que na verdade é sabido que todos os negócios e projectos industriais no polo industrial de viana, bem como outros a que o empresário tem vindo a anunciar não lhe pertencem, pois o mesmo tem servido apenas de testa de ferro aos negócios e interesses do Presidente João Lourenço.

A estratégia é aniquilar a imagem e reputação do General Higino Carneiro, perseguindo-o de maneira a que desista da sua pretensão a liderança do partido, como no caso da Global Seguros por entender que exista a possibilidade de o General Higino Carneiro possa fazer parte de um dos grupos acionistas, decretou que se forjasse irregularidades técnicas com o apoio da ARSEG, para então entrar em acção uma comissão liquidatária que visasse encerrar o mais rápido com a seguradora passando então a carteira de clientes para a consultora delloite integrar na nova seguradora criada em nome de Silvestre Tulumba Kapose. E mais uma vez fica a pergunta que não se quer calar, “a quem serve os interesses do combate à corrupção.

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