Ex-chefe da fiscalização do então Distrito do Zango – o único que não deixou invasores ganhar espaço na Vida Pacífica – Marcos Filho

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Num contexto marcado por disputas fundiárias, crescimento urbano desordenado e denúncias recorrentes de corrupção, a atuação de figuras públicas na fiscalização territorial torna-se cada vez mais determinante para o futuro das comunidades. No antigo Distrito Urbano do Zango, hoje integrado ao município do Calumbo, província do Icolo e Bengo, um nome ainda ecoa entre moradores, técnicos e agentes locais: Cláudio Bruno, conhecido popularmente como “PitBull”.

Durante o período em que esteve à frente da fiscalização, Cláudio Bruno ganhou notoriedade por uma postura considerada incomum no setor: rigorosa, inflexível e, segundo relatos, imune a práticas de corrupção. Em uma região onde a pressão de invasores de terrenos é constante, sobretudo nas áreas adjacentes à Centralidade Vida Pacífica, sua presença era vista como um obstáculo direto aos esquemas ilegais de ocupação.

Um período de controlo rigoroso

Fontes locais descrevem que, no tempo em que Cláudio Bruno liderava a fiscalização no então distrito do Zango, “os invasores não respiravam”. A expressão, repetida por moradores, ilustra o nível de controlo exercido sobre as tentativas de ocupação ilegal de terrenos públicos.

Segundo esses testemunhos, o ex-responsável mantinha vigilância constante sobre áreas destinadas à construção de infraestruturas sociais — como escolas, centros de saúde e espaços comunitários — impedindo que fossem apropriadas por interesses privados. A sua atuação teria garantido a preservação de reservas fundiárias estratégicas para o desenvolvimento urbano ordenado e para o bem-estar coletivo.

Mais do que ações pontuais, Cláudio Bruno implementou um modelo de fiscalização baseado em presença no terreno, resposta rápida a denúncias e articulação com outras estruturas administrativas. Esse conjunto de práticas consolidou sua reputação como um agente público comprometido com o interesse público.

A mudança de cenário

Com a sua saída do cargo, o cenário teria sofrido alterações significativas. Diversas vozes na comunidade denunciam que a fiscalização perdeu força, abrindo espaço para o ressurgimento de invasões, especialmente nas zonas próximas à Centralidade Vida Pacífica.

Há acusações — que carecem de investigação formal e contraditório — de que o atual responsável pela fiscalização do município do Calumbo estaria envolvido em esquemas com invasores de terrenos. Segundo essas alegações, haveria facilitação de ocupações ilegais em troca de benefícios, comprometendo áreas anteriormente protegidas.

Moradores relatam que terrenos destinados a projetos sociais estariam sendo loteados de forma irregular, muitas vezes à vista de autoridades que, em teoria, deveriam impedir tais práticas. Essa percepção tem gerado indignação e um sentimento de retrocesso em relação aos avanços alcançados no passado.

Clamor pelo retorno de um modelo de rigor

Diante desse contexto, cresce entre alguns segmentos da população a ideia de que Cláudio Bruno “PitBull” seria o perfil ideal para reassumir ou coordenar a fiscalização no município do Calumbo. Para esses defensores, sua reputação de integridade e firmeza representa uma alternativa ao que consideram ser um sistema fragilizado.

Analistas locais destacam, no entanto, que o problema vai além de uma única figura. A eficácia da fiscalização depende de estruturas institucionais sólidas, mecanismos de transparência e responsabilização, além de vontade política para combater redes organizadas de ocupação ilegal.

Entre memória e realidade

A figura de Cláudio Bruno tornou-se, para muitos, um símbolo de um período em que a fiscalização funcionava de forma mais eficaz. Contudo, o atual momento exige não apenas a valorização de exemplos passados, mas também investigações sérias sobre as denúncias presentes e a implementação de reformas estruturais.

Enquanto isso, áreas sensíveis como as imediações da Centralidade Vida Pacífica continuam no centro de uma disputa silenciosa, onde interesses públicos e privados colidem diariamente.

O futuro do ordenamento territorial no município do Calumbo dependerá, em grande medida, da capacidade das autoridades de restaurar a confiança, reforçar a fiscalização e garantir que o espaço urbano seja utilizado para aquilo que realmente importa: o desenvolvimento sustentável e o bem-estar da população.

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