Activista Osvaldo Kaholo denuncia alegada condenação antecipada
O activista angolano Osvaldo Kaholo denunciou uma alegada condenação antecipada no seu processo judicial, através de uma carta a que o portal Club-K teve acesso.
Na missiva, Kaholo afirma que será condenado na quarta-feira, 1 de abril, sustentando que a juíza já teria dado nesse sentido durante a última sessão do julgamento. Segundo o ativista, a magistrada terá deixado indicações claras de que a decisão estaria previamente definida, o que, no seu entendimento, compromete a imparcialidade do tribunal.
O ativista considera que o processo não assenta em fundamentos culturais, religiosos ou estritamente jurídicos, mas sim em motivações políticas. Na carta, acusa setores no poder de utilizarem a justiça como instrumento para silenciar vozes críticas e preservar posições de influência.
Kaholo defende ainda a necessidade de uma transformação do modelo de governação em Angola, criticando o que descreve como um Estado centrado em interesses individuais. Para o ativista, o país deve evoluir para um sistema mais inclusivo, baseado no princípio de um Estado “do povo, para o povo e pelo povo”.
Na mesma carta, apela à mobilização contínua da sociedade civil, sublinhando que a coragem não significa ausência de medo, mas a capacidade de continuar apesar dele.
Até ao momento, não houve qualquer reação oficial das autoridades judiciais ou governamentais às alegações tornadas públicas.
O caso volta a trazer à tona o debate sobre a independência do sistema judicial angolano, frequentemente questionado por organizações da sociedade civil e analistas políticos.
Club-K

