Higino Carneiro assegura que não vai desistir da corrida à presidência do MPLA

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O general angolano e pré-candidato à liderança do MPLA, Higino Carneiro, foi chamado à Procuradoria-Geral da República (PGR) esta quarta-feira (13.05) para ser notificado sobre a reabertura de um processo relacionado com uma alegada burla envolvendo viaturas, caso que, segundo afirma, já havia sido arquivado.

À saída da PGR, Carneiro disse aos jornalista que não vai desistir da liderança do MPLA. O general apelou ainda à contenção entre apoiantes, defendeu o cumprimento dos estatutos do partido e afirmou que a sua candidatura pretende “somar” e não dividir.

Criticou ainda sinais de pré-campanha fora das regras internas e manifestou preocupação com o atual clima político dentro do partido. Na disputa interna, o presidente eleito do MPLA será automaticamente o cabeça de lista às próximas eleições presidenciais em Angola.

“Motivações políticas”

O general, antigo deputado e ex-governador de várias províncias, considera que a reativação do processo tem motivações políticas ligadas à sua intenção de concorrer à liderança do MPLA.

“Aquilo que o queixoso retirou, alguém entendeu que devia prosseguir”, afirmou aos jornalistas, acrescentando que o proprietário das viaturas também teria desistido da acusação. “Agora somos confrontados com uma nova realidade”, acrescentou.

Para Higino Carneiro, a decisão “não pode ter outro sentido” que não o facto de estar envolvido numa campanha para a presidência do partido. Ainda assim, pediu serenidade aos apoiantes: “Continuem a trabalhar, porque o que estamos a fazer é para o bem de Angola e dos angolanos.”

Também o advogado de Higino Carneiro declarou-se hoje surpreendido por o seu cliente ter sido notificado sobre um processo que tinha sido arquivado, mas considerou-o um “nado-morto” (bebé que nasce sem sinais de vida).

“Surpreendentemente, fomos hoje notificados”, disse o advogado. “Os factos constam de um processo que já foi arquivado pelo Tribunal Supremo e a Procuradoria-Geral da República tem cópia dessa decisão e desse despacho de arquivamento”, acrescentou.

José Carlos Miguel também falava à imprensa à saída da PGR, onde acompanhou o seu cliente para prestar declarações no Departamento Nacional de Investigação e Ação Penal (DNIAP).

Notificação

A notificação da PGR tornou-se pública um dia depois de João Lourenço ter formalizado a sua recandidatura à liderança do MPLA.

Além do atual Presidente da República e de Higino Carneiro, também manifestaram intenção de concorrer os militantes José Carlos Almeida e António Venâncio. O IX Congresso Ordinário do MPLA está marcado para os dias 9 e 10 de dezembro. As candidaturas à presidência do partido decorrem até 25 de outubro.

Impedido constitucionalmente de concorrer a um terceiro mandato presidencial em 2027, João Lourenço poderá, caso seja reeleito líder do MPLA, influenciar a escolha do futuro candidato do partido à Presidência da República.

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Com/DW

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