Administração do Kilamba e INH acusados de invadirem terrenos de camponeses do Bairro Terra Nova II
Mais de mil camponeses, que residem na noza da Terra Nova II – também conhecido por “Bairro Jorge”, no município do Kilamba, em Luanda, apontam nomes de supostos funcionários da Administração local e do Instituto Nacional de Habitação (INH) de alegadamente se “apoderarem” de um terreno de mais de 500 hectares, usando o nome das instituições do Estado para benefício pessoal.
Conforme avançou a reportagem do Club-K no local, desde 2023 – os cidadãos, na sua maioria camponeses, têm sido perseguidos e violentados por elementos da Polícia Nacional e das Forças Armadas Angolanas, que “agem a mando de invasores”, tal como denunciou a cidadã Taslânia Jorge, neta do senhor Jorge – considerado fundador do referido bairro – muito antes da existência dos projectos habitacionais no Kilamba.
Os camponeses exibiram, à imprensa, toda a documentação, que alegadamente atesta a titularidade do terreno de 575 hectares, mas ainda assim, de acordo com a Tislânia Jorge, “os invasores usam a força escorraçando os legítimos proprietários”, que tiveram que recorrer aos órgãos de justiça.
Segundo Tislânia Jorge, neta de um dos fundadores da localidade, as terras pertencem à sua família há várias décadas, sendo utilizadas, na época, para o cultivo de diferentes produtos agrícolas. “O meu avô explorava esta área com plantações de mandioca, mangueiras e cajueiros”, afirmou.
A mulher sublinhou que, apesar de a propriedade estar devidamente legalizada, há indivíduos supostamente ligados à administração municipal, à Polícia Nacional e um empresário identificado apenas por Lisboa, que estarão a ocupar o espaço de forma irregular. “O meu avô é o legítimo proprietário do terreno. Existem pessoas bem identificadas que tentam usufruir do espaço com o apoio de membros da administração do Kilamba, da Polícia Nacional e de um empresário, mesmo com toda a documentação a nosso favor”, denunciou.
No local, a reportagem constatou a ocupação de alguns lotes, com a presença de amontoados de areia e outros materiais de construção. De acordo com os camponeses, trata-se de acções levadas a cabo por supostos invasores que, alegadamente, continuam a desafiar as autoridades, incluindo decisões do Tribunal da Comarca de Luanda e da Procuradoria-Geral da República (PGR), a favor dos camponeses.
Durante a interação, os profissionais de comunicação social afirmam ter sido alvo de intimidação e agressões verbais por parte de indivíduos que realizavam obras no local. “A imprensa não foi respeitada. Foram arremessadas latas, bidões com bebidas e areia”, relatou um dos repórteres da Quadrante TV, descrevendo o ambiente como “aterrorizante”.

A camponesa Antónia de Jesus manifestou indignação face à situação e apelou à intervenção das autoridades. “É lamentável que pessoas de má-fé insistam em ocupar propriedade alheia sem respeito pela lei”, disse.
Os camponeses solicitam a intervenção do Presidente da República, João Lourenço para a resolução do conflito. “Pedimos encarecidamente a intervenção do Presidente da República para que se ponha fim a esta situação”, reforçou a cidadã.
Até ao fecho desta matéria, não houve qualquer pronunciamento da Administração Municipal do Kilamba (AMK) e do Instituto Nacional de Habitação (INH).
CK

