Corrupção e impunidade: Libertados seguranças da empresa Muapi Diamond acusado de assassinar homem de 59 anos na Lunda-Norte
Os habitantes da localidade de Kacombo, no município de Cassanje-Calucala, província da Lunda-Norte manifestam-se revoltados com alegados níveis de corrupção e impunidade reinantes naquela parcela do país, devido a exploração de diamantes, pelo que solicitam a intervenção urgente das autoridades judiciais.
Os populares pedem à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ), no sentido de investigar e responsabilizar órgãos de justiça local, que supostamente estiveram envolvidos para a libertação dos homens suspeitos pela morte do ancião.
Conforme noticiou este portal, um ancião de 59 anos, que em via atendia pelo nome de José Nguvo, natural do município de Kunda-Dia-Base, província de Malanje, foi torturado até à morte, pelo um grupo de seguranças da empresa privada Muapi S.A Diamond, que protege Projecto Milando, do empresário Adolfo Pinto Muteba – tido como testa de ferro do então ministro do Interior, Eugénio Laborinho.
A vítima, que deixou 18 filhos e três viúvas, foi morta à pancada no dia 30 de Janeiro e de seguida o corpo foi queimado nas margens do Rio Cuango. Após o sucedido, os órgãos de investigação detiveram os supostos implicados que ficaram detidos por alguns dias.
“Devido à corrupção, abuso de poder, tráfico de influência e impunidade, os implicados na morte do cidadão foram postos em liberdade após a empresa ter pago 10 milhões de kwanzas, alegadamente aos efectivos do DIIP”, denunciou uma fonte familiar.
“Essa empresa Projecto Milando entre outras empresas de segurança que protegem as minas de diamantes na região têm muitos antecedentes criminais, e se tivéssemos órgãos de justiça sérios e abertos, essas empresas minerais não estariam a operar nestas zonas, pois estariam propensos”, disse um dos activistas.
Segundo o defensor dos direitos humanos na província da Lunda-Norte, “os casos de assassinatos de cidadãos civis, os seus autores continuam impunes sem qualquer responsabilização criminal”.
Jordan Muacabinza, outro defensor dos direitos humanos, da Front Line Defenders lembrou que “os relatos de assassinatos, de tortura, espancamentos de civis, dentre os quais garimpeiros e camponeses nas minas de diamantes, representam grave violações dos direitos humanos e constituem uma ameaça intolerável à paz e à dignidade da pessoa humana na região das Lundas”.
O activista apelou às autoridades competentes “para se pôr fim imediato das hostilidades e ao respeito pelos princípios fundamentais do Direito Internacional”. “Pedimos a quem de direito que se faça justiça séria, aberta e transparente, de modos que a empresa seja responsabilizada com vista a assegurar a vida dos filhos deixados pelo malogrado”, reforçou.

