Membros do Comité Central alertam que líder da FNLA pode ser destituído do cargo por violação de Estatutos

Compartilhe

Os membros do Comité Central da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) alertam que, caso o presidente do partido, Nimi a Nsimbi persistir em “violar” os Estatutos, pode ser destituído do cargo, pois se “recusa” a convocação da reunião do Comité Central – órgão que deve anunciar a realização do Congresso Ordinário previsto para Setembro de 2026.

A posição foi manifestada nesta terça-feira, 27 de Janeiro, em conferência de imprensa na sede da FNLA, em Luanda, pelos membros do Comité Central, que acusam Nimi A Nsimbi de continuar “irredutível” e “inflexível”, prosseguindo com a sua acção de “arrastar” as reuniões e alegadamente “bloquear o funcionamento do partido”.

Num comunicado lido diante dos órgãos de comunicação social, na voz do político Ndonda Nzinga – membro do Comité Central da FNLA, o grupo apontou o líder do “partido dos irmãos” de pretender “inviabilizar” a preparação e realização do VI Congresso Ordinário este ano e com o fito de manter o partido sob sua direcção, até a realização das Eleições Gerais, previstas para 2027, a fim de apresentar-se como cabeça-de-lista.

Os membros do Comité Central da FNLA adiantam que estão a esgotar todos os meios legais previstos nos Estatutos do partido, bem como a aproximação do diálogo interno, visando à realização de duas reuniões – uma ordinária e outra extraordinária do Comité Central – órgão competente para determinar a convocação e realização do próximo congresso.

Ndonda Nzinga, Laiz Eduardo e Fernando Pedro Gomes, que falaram em nome dos demais membros do Comité Central, alertaram que, de acordo com os Estatutos da FNLA, em caso de “persistência” do líder do partido Nimi a Nsimbi em “violar” as normas estatutárias, o Comité Central poderá tomar “medidas drásticas”, que poderão culminar com a destituição de Nimi ao cargo de presidente do partido.

“Todas as expectativas da nova direcção do partido, saída do V Congresso Ordinário ficaram goradas, porque o seu maquinista, DR. Nimi A Nsimbi, demonstrou não somente ser incapaz de cumprir com os objectivos traçados pelo conclave, como desviou-se do mesmos, ao violar constantemente os Estatutos da FNLA, a Constituição da República de Angola e a Lei dos Partidos Políticos”, afirmam os membros do CC.

Para Ndonda Nzinga e o seu “elenco”, a unidade e a reconciliação interna da FNLA, é na sua visão “uma miragem”, porquanto, disse, “o presidente instituiu a ditadura no lugar da democracia e da sã convivência, das acrobacias no cumprimento das exigências estatutárias com a falta de regularidade na convocação e realização das reuniões dos órgãos centrais e/ou direcção do partido”.

A formação política fundada por Álvaro Holden Roberto vive uma crise interna por alegada falta de cumprimento de reuniões do Comité Central, um número considerável dos membros apontam o actual líder, Nimi-a-Simbi de adoptar o método da fuga para frente para escapar da prestação de contas, do financiamento do Estado nas eleições de 2022, bem como da letargia em que se encontra o partido.

Em Dezembro de 2025, os membros do Comité Central decidiram retirar a confiança política e deram ultimato de 30 dias, para o líder do partido realizar a referida reunião, caso contrário, seria destituído da liderança.

Numa entrevista recente à Rádio Correio da Kianda, Nimi a Simbi, disse que o principal obstáculo da falta da coesão e unidade era o ex-líder da FNLA Ngola Kabango, por supostamente ter recrutado um grupo de membros do Comité Central para afastá-lo da presidência do partido, a fim de permitir Ngola Kabango tomar de assalto o cadeirão máximo.

Os membros do Comité Central acusam igualmente a Nimi a Nsimbi de “má gestão dos recursos atinentes à FNLA e não realização de actividades de massas”.

CK

Radio Angola

Radio Angola aims to strengthen the capacity of civil society and promote nonviolent civic engagement in Angola and around the world. More at: http://www.friendsofangola.org

Leave a Reply