2027 será o último combate? Antes ou após a farsa eleitoral? – Geraldo Dala
Muitos companheiros de luta cívica com que tenho debatido e dialogado, entre estes Luther King Campos, Tanaice Neutro, Adilson Manuel e outros têm defendido que 2027 é, deve ser ou será o último combate, a ser travado para tirar o MPLA do poder.
Fonte: Club-K.net
Na mesma linha, os partidos na oposição, falam em alternância e mudança do governo. Há uma expectativa muito grande a ser criada. Mas eu vou ater-me ao último combate defendido pelos activistas.
A mínima experiência que tenho das lutas cívicas e a constatação da realidade quotidiana, o povo está cansado de facto e já não espera nada do MPLA. Este partido já expôs a sua incapacidade ao longo dos 50 anos de desgovernação, como um homem ou mulher nua que nada mais tem a esconder.
Mas falar de último combate implica, primeiro, delinear as acções e identificar os combatentes e em segundo, conceber os vários métodos de luta.
Algumas perguntas são importantes colocar: último combate sim, mas com quem? Como será? A pergunta com quem, não só se refere a um grupo alvo, mas a todos os actores e vectores de mudança.
O mano Gangsta77 fala muito da geração Z. Eu digo que a geração Z está distante de protagonizar mudanças políticas profundas em Angola, gosta mais de praias(como afirmou o meu amigo Francisco Teixeira MEA) gosta de festas, gosta de dançar, de tchilar e de se divertir. Basta ver o que eles seguem e partilham nas redes sociais.
Talvez com o povo no seu todo. O povo, é a arma mais poderosa neste combate. Porém, em sua maioria, tem medo. Basta ver o número reduzido que adere às manifestações, que raramente chega aos milhares. É preciso discernimento, meus irmãos.
Outro factor, qual é a filosofia de libertação que tem sido passada? Que meios têm sido utilizados? O slogan “MPLA fora” já virou tão banal, tão vazio e tão corriqueiro que já nem amedronta o regime instalado. Tornou-se diversão e os que hoje o repetem constantemente, correm o risco de serem tomados como palhaços cívicos.
O último combate é algo muito sério. Requer, em meu entendimento, inúmeras variáveis:
- Líderes e não um só líder como tem sido defendido. Um pode ser aniquilado facilmente. O ANC na África do Sul e os próprios movimentos de libertação só alcançaram os objectivos preconizados porque trabalham em equipa. Moisés só fez milagres sozinho porque Deus estava com ele. Estes líderes devem ser capazes de dirigir estrategicamente o povo. Não devem ser guias cegos, que só pensam em protagonismo e não têm raciocínio nem discernimento.
- Identificação dos actores principais com quem se pode avançar: activistas, jornalistas , sindicatos, associações cívicas, associações de táxis, a própria massa trabalhadora pública e privada.
- Meios de comunicação estratégicos capazes de difundir a mensagem revolucionária: rádios, tvs, jornais, websites, redes sociais capazes de difundir esta mensagem. Aumentar a consciência da resistência contra a ditadura, deve ser o prato do dia. É um trabalho que já devia começar.
- Realismo político. As mudanças não se fazem com mentiras, mas sim com verdades que sem dúvidas, incomodam os dominadores. A verdade quando é dita e pensada, gera tensão e preocupação ao opressor. E a alternância por via do voto, é uma mentira tão grande que não incomoda o MPLA.
- Identificar aliados externos (em África ou fora dela). A geopolítica e geoestratégia é imprescindível para desencadear mudanças políticas amplas e profundas.
- A queda da ditadura exige uma complexidade de acções: em Angola nos focamos muito em manifestações de rua. Como consequência, o MPLA aperfeiçoou os métodos de repressão e controle dos protestos desde 2011 até aqui. Existem acções muito impactantes também: a não cooperação ( ficar dias ou semanas, não trabalhar e criar um funil financeiro). O boicote e a desobediência civil (não cumprir massivamente ordens ou leis do opressor), só para citar estes, podem ser métodos em que o opressor não tem controle. Cada acção deve ser realizada pelos actores específicos e mais capacitados.
É preciso evitar a tudologia. Ninguém sabe tudo e ninguém pode tudo. Não basta falar no último combate é preciso planeamento estratégico. Mais racionalidade e menos emoção.

